quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Dicas para evitar engavetamentos


Vejam essa matéria do Correio Web (clique aqui para ver a matéria na íntegra):

"Engavetamento de 11 carros é registrado na pista Sul da Estrutural
Ninguém ficou ferido. A Companhia de Polícia Rodoviária não soube informar as causas do engavetamento

Publicação: 29/08/2013 11:22 Atualização: 29/08/2013 11:35

Onze carros se envolveram em um engavetamento na pista Sul da via Estrutural na manhã desta quinta-feira (29/8). De acordo com a Companhia de Polícia Rodoviária (CPRv), o acidente ocorreu por volta das 10h30 no KM 5, próximo à Cidade do Automóvel.

Os veículos foram para o acostamento e o acidente não prejudica o trânsito, mas curiosos reduzem a velocidade para olhar os carros parados. Ninguém ficou ferido e os serviços de emergência não precisaram ser acionados. A CPRv não soube informar a causa do engavetamento.

Acidente na EPTG

Mais cedo, cinco carros se envolveram em um acidente na ETPG, na altura da residência oficial do governador, por volta das 7h. Um comboio descaracterizado da Polícia Civil transitava pela faixa expressa de ônibus quando outro carro entrou na faixa e atingiu um dos carros do comboio. Duas pessoas ficaram feridas".

Hoje eu vim de carro de Águas Claras para o Plano Piloto e presenciei as consequências desse acidente na EPTG. Como informado, o acidente ocorreu nesta manhã em frente à Residencia Oficial do Governador, sentido Plano Piloto. O engarrafamento se estendeu nas vias expressa e marginal, gerando lentidão desde a saída de Águas Claras (balão da UNIEURO e Av. Castanheiras).

Ainda bem que não houve vítimas fatais (ou gravemente feridas) nesses dois acidentes. 

Mesmos esses tipos de acidentes, sem vítimas graves ou fatais, provocam um impacto muito negativo na dinâmica da nossa cidade. São diversas as consequências, desde atrasos dos trabalhadores aos seus serviços até problemas de saúde ocasionados pelo estresse rotineiro.

O Correio Web também publicou uma matéria sobre os problemas ocasionados sobre os acidentes. Veja a matéria clicando aqui. Também já comentamos neste blog sobre questões relacionadas aos acidentes, no qual abordamos os 4 tipos de falhas que provocam os acidentes (Não viu? Clique aqui!).

O grande volume de veículos nas ruas potencializa a ocorrência de acidentes. Os engavetamentos, por exemplo, possui um vinculo direto com o elevado número de carros que trafegam muito próximos uns dos outros.  A matéria apresentada hoje dos 11 carros envolvidos no engavetamento é um exemplo disso. Já imaginaram o tamanho do prejuízo deste acidente? E não digo apenas o prejuízo dos veículos danificados, mas também os aborrecimentos em ter que aguardar perícia, prestar informações, desmarcar compromissos, etc. Além disso, há também as deseconomias geradas com o atraso nas viagens de todos os usuários que passaram por ali naquele período.

Para evitar acidentes (em especial engavetamentos), é importante seguir alguns bons costumes (que na essência é observar o disposto no Código de Trânsito): 
  • Estar atento: atenção do condutor deve estar voltada exclusivamente ao trânsito;
  • Estar atento mais uma vez: nada de usar celular ou equipamentos que possam desviar a atenção;
  • Estar atento outra vez: nada de pegar objetos que estejam no assoalho do carro, no banco (muito menos no banco de trás), se for preciso, pare o veículo em lugar seguro e arrume seus objetos;
  • Estar sóbrio: nada de bebida alcoólica (nem precisava citar esta, não é?) e nada de dirigir com sono; 
  • Manter distância segura do veículo da frente; 
  • Reparar se o veículo da frente está com as luzes de freio funcionando (há muito dono de carro que não está nem aí com o correto funcionamento de seu carro);
  • Observar se o condutor que vem atrás mantém uma distância segura (se ele viver "na cola", é preferível se afastar dele, pois ele é um potencial causador de acidentes); e,
  • Verificar a qualidade dos freios do seu veículo (faça manutenções regularmente).

É isso aí pessoal! Grande abraço!





quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Doce Mobilidade

Prezados(as),

Transcrevo um texto muito interessante que recebi do meu amigo Cláudio Oliveira da Silva, no qual ele apresenta uma visão diferenciada do que estamos habituados a ver em nossa cidade. Vamos repensar nossos espaços urbanos! Vale a leitura! Abraços!


"BICICLETAS, PEDESTRES E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: MOBILIDADE DOCE.
Claudio Oliveira da Silva


RESUMO
Mobilidade doce fica aqui entendida como aquela caracterizada pelo baixo impacto ambiental com ganhos para a cidade enquanto espaço de vitalidade e sociabilidade. Não se trata de usar um novo termo por si, mas tão somente de chamar atenção para uma abordagem de mobilidade urbana ainda mal solucionada.
O principal aspecto da mobilidade doce é o desempenho da velocidade que associada à nossa condição de indivíduos dotados de cabeça, tronco e membros nos direciona aos meios de transportes não motorizados como o a pé, bicicletas, e pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.
Nenhum dos modos não motorizados de transporte pode ser vislumbrado como solução única. Sua abordagem comparada permite agregar a requalificação dos espaços urbanos. Sua abordagem integrada a transportes de maior capacidade ou outros adaptados à situação de compartilhamento, menor emissão de poluentes e adequação ao entorno, permite agregar a requalificação de espaços urbanos e regionais.
Em 2010, dos municípios que integram o Sistema de Informações da Mobilidade da ANTP, naqueles com população entre 250 e 500 mil habitantes 46,25% de todas as viagens são realizadas a pé e de bicicleta. Nos municípios com população entre 500 mil e 1 milhão esse percentual passa a ser 42,35%. Somando a isso o percentual de 23,9% da população brasileira que apresenta algum tipo de deficiência, IBGE. Tais dimensões revelam a responsabilidade que há implícita nas abordagens recentes e intervenções urbanas.
Dentre os principais requisitos da mobilidade por bicicletas estão (i) entender que a solução de infraestrutura não está somente em implantação de ciclovias; (ii) reconhecer onde e como se localizam as demandas; e (iii) promover a integração com os demais modos de transporte para uma acessibilidade mais ampla.
Dentre os principais requisitos da mobilidade para pessoas com deficiência estão (i) reconhecer a acessibilidade universal como direito humano; (ii) utilizar as técnicas de maneira adequada e dar respostas corretas aos diferentes tipos de deficiência; e (iii) aplicar a acessibilidade como princípio de projeto.
Dentre os principais requisitos de mobilidade de pedestres estão (i) acreditar que todas as viagens começam com o a pé; (ii) utilizar os raios de abrangência como critério de planejamento para localização de acesso ao transporte coletivo; (iii) tratar as ambiências urbanas através da arquitetura da paisagem, para que as calçadas sejam convidativos, e através da densidade e uso e ocupação do solo para que as cidades sejam mais vibrantes.

O principal desafio nesse momento é tornar a mobilidade doce prioridade na agenda política e inverter recursos significativos para sua implementação. Sabemos, no entanto, que não é uma tarefa fácil diante do histórico de opções tomadas no nosso país e da escassez de recursos voltados a essa finalidade. O Programa de Aceleração do Crescimento se apresenta como oportunidade."

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Fator cultural nas soluções de mobilidade urbana

Neste fim de semana passado, eu tive a oportunidade de conhecer o Prof. Sandro, líder de movimento negro, que defende, entre outras, questões relacionadas à infraestrutura em comunidades negras. Dizia ele que os brasileiros são muito influenciados pelas culturas européia e americana, no qual naturalmente nos levam a pensar em soluções dadas naqueles países para equacionar nossos problemas.

Essa conversa me fez refletir sobre o assunto. No campo da mobilidade urbana, por exemplo, diversas soluções adotadas por nós são provenientes de êxitos em países como França, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. Podemos citar exemplos: as autopistas americanas e o transporte sobre trilhos dos franceses.

O Brasil absorve aprendizados até mesmo de alguns países asiáticos como o Japão e, recentemente, determinadas tecnologias chinesas e coreanas.

Preciso aqui fazer um parênteses e registrar uma contribuição brasileira voltada ao transporte público coletivo. Trata-se do conceito de Trânsito Rápido por Ônibus que foi concebido na década de 1970 em Curitiba/PR e ganhou o mundo. Apesar de ser uma ideia brasileira, a solução é mais conhecida (inclusive no Brasil) como Bus Rapid Transit - BRT, um nome em inglês.

Porém, poucas soluções o brasileiro usa como sendo provenientes de países africanos. Eles também possuem soluções para seus deslocamentos. O Professor me lembrou do transporte não motorizado com tração animal. Trata-se de um meio bastante utilizado por brasileiros que é muitas vezes negligenciado por gestores públicos e desprezado por usuários do transporte motorizado.

Estamos vivendo as experiências de um mundo globalizado, portanto, é natural que passamos cada vez mais conhecer e adotar as soluções utilizadas em outros países. Mas, me pergunto: será sempre benéfico adotar soluções internacionais para resolver problemas similares nacionais? Tenho chegado a conclusão que não. Por mais que determinados problemas de mobilidade urbana sejam os mesmos, há uma importante variável a ser considerada no equacionamento: a cultura de cada povo.

Cada país tem sua história e sua cultura. A mobilidade urbana é um assunto multidisciplinar que envolve comportamento humano (não há como desconsiderar isso). Portanto, penso que nem sempre boas soluções dadas na Europa são as mais bem aplicadas no Brasil. São culturas distintas. Além do sangue europeu, nosso povo tem grande influência de culturas africanas (e outras). 

Assim, penso que é importante conhecer bem nossas particularidades para poder adaptar soluções provenientes de outros países. Tenho incorporado em meus discursos que as soluções de mobilidade urbana precisam ser eficazes, eficientes e efetivas. Eficaz pois as soluções precisam de fato resolver o(s) problema(s); eficientes pois as soluções precisam resolver da melhor maneira possível (custo benefício); e efetivas pois as soluções precisam refletir o que a população realmente quer.

Para concluir, quero fazer com vocês um pequeno exercício com a figura desta postagem. A figura é um mapa usado em Johanesburgo (África do Sul), que visa orientar o usuário na comunicação com o motorista por gestos, informando-o seu destino (bairro) que pretende ir. Pode ser um tanto complicado para nós, mas é o dia-a-dia daquela comunidade. 

Digamos que os governantes de Johanesburgo resolvam melhorar o sistema de transporte, incluindo o seu sistema de informações ao usuário. Se eles adotarem um sistema de comunicação usado nos metrôs londrinos (totalmente diferente do praticado na região afriacana) sem qualquer adaptação, é bem possível que gere um caos nas primeiras semanas. Com o passar do tempo, é possível que a população se adapte à nova "cultura", mas a implantação pode simplesmente não vingar. Portanto, o ideal é conhecer as soluções mundo a fora voltadas à informação ao usuário e estabelecer qual delas seria a melhor a ser adaptada a sua realidades. Após, fazer um trabalho junto aos usuários de forma a introduzi-las gradualmente.

Abraços!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Linha Expressa>> Transporte público de qualidade reduz doenças e mortes


Pessoal,

Navegando o site da nossa parceira Mobilize (acesse o site aqui), encontrei uma interessante reportagem sobre estudos que indicam que um Sistema de Transporte Público de Qualidade ajuda a combater problemas ligados à saúde pública (clique aqui para ver a reportagem na fonte). Os estudos são da Organização Mundial de Saúde - OMS. A autoria da reportagem, publicada pela Folha de São Paulo, é da Sra. Claudia Collucci. Reproduzo na íntegra:

"Mais do que reduzir a poluição e melhorar a qualidade do ar, uma rede de transporte público eficiente ajuda a combater problemas de saúde pública como acidentes de trânsito, estresse, sedentarismo e obesidade.

É o que mostra uma compilação de mais de 300 estudos mundiais realizados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre a relação entre mobilidade urbana, saúde e qualidade de vida.

Os dados foram apresentados pelo epidemiologista Carlos Dora, 58, coordenador do Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, que esteve no Brasil para uma série de palestras.

Para ele, um bom sistema de transporte pode prevenir doenças não transmissíveis, como as cardiovasculares e as pulmonares, e os acidentes de tráfego, que hoje estão entre as principais causas de morte no Brasil.

Exemplo: quem usa ônibus ou metrô anda em média entre 8 e 25 minutos a mais por dia, o que é quase o tempo mínimo recomendado pela OMS para gerar grandes melhorias de saúde.

Estudos mostram que 30 minutos de atividade física intensa, como andar de bicicleta ou caminhar vigorosamente, pelo menos três vezes por semana, reduz o risco cardiovascular em 30%, além de prevenir muitos cânceres.

A falta de atividade física chega a matar mais de 3 milhões de pessoas por ano por problemas como diabetes e hipertensão arterial.

A OMS calcula que 1,2 milhão de pessoas morram em acidentes de trânsito. Nas áreas urbanas, os carros são responsáveis por até 90% da poluição do ar ambiente e por até 1,2 milhões de mortes.

'Se o cidadão tiver à disposição ônibus e metrôs eficientes e com custo acessível, aos quais possa ter acesso em calçadas e pistas cicláveis seguras, para ele vai ser mais vantajoso deixar o carro em casa.'

Acompanhe a seguir trechos da entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Como o transporte pode prevenir doenças?
Carlos Dora - O número de doença e de mortes pode ser reduzido substancialmente numa cidade que adota um sistema de transportes baseado em corredores de ônibus de alta eficiência (rápidos, limpos, com boa informação para usuários), associados a espaços protegidos [contra acidentes] para pedestres e ciclistas.
Isso faz com que as pessoas optem por deixar o carro em casa. Quanto mais espaço dedicado ao transporte público eficiente e rápido, espaço para ciclistas e pedestres, menos carros, menos acidentes, menos poluição do ar, mais atividade física durante a vida diária e consequentemente mais saúde.

Quais doenças estão relacionadas hoje a um sistema de transporte ruim?
Doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, doenças respiratórias e cânceres, além de mortes e lesões causadas pelos acidentes.
A poluição atmosférica, por exemplo, causa mais as doenças respiratórias e cardiovasculares. O ruído constante das ruas movimentadas causa estresse.
O uso do carro individual gera falta de atividade física e, como consequência, doenças cardiovasculares e obesidade. Muito da qualidade de vida de uma grande metrópole depende de como o transporte público é organizado.Para a pessoa pegar um ônibus, precisa andar a pé ou de bicicleta até a estação.
Se a evidência de que o transporte público de qualidade possibilita que as pessoas se desloquem a pé, esse modelo deve ser levado em conta. A prevenção não está mais só nas mãos do sistema de saúde, mas nas mãos de boas políticas governamentais.

Há evidências claras relacionadas à mortalidade?
Sim, o transporte tem um custo muito alto em mortes.Em Copenhague, foi feito um estudo que acompanhou, durante 14 anos, pessoas que andavam de ônibus, a pé, de carro e de bicicleta.Quem usava bicicleta regularmente para ir ao trabalho teve redução de 30% na mortalidade total, isso depois de ajustar por outros fatores como o tabaco, a hipertensão, a atividade física para o lazer etc. Há poucos remédios ou intervenções médicas que reduzem a mortalidade total da população em 30%. Xangai fez um estudo semelhante com resultados quase iguais. Para ajudar a melhorar esse cenário, criamos na OMS um software que ajuda as pessoas a comparar o quanto se ganha em saúde (redução de mortes e invalidez) e em termos econômicos ao investir mais em infraestrutura para bicicletas e pedestres e no transporte público.
 Ônibus superlotados, inseguros e atrasados, que são uma realidade de São Paulo, também estressam as pessoas...
Certamente essas situações não fazem bem à saúde.O que sabemos é que, se o cidadão tiver à disposição ônibus e metrô eficientes e com custo acessível, é mais vantajoso deixar o carro em casa. E isso tem impacto direto na saúde pública. A prevenção de muitas doenças do século 21 [cardiovasculares, respiratórias, diabetes, obesidade etc.] pode ser lograda por medidas de transporte e também de planejamento do espaço urbano. Os governos precisam criar alternativas de transporte público de qualidade e eficiente, assim como espaço seguro para pedestre e para ciclistas. É preciso ter a noção de que ao privilegiar o carro se está desprivilegiando as demais alternativas e que isso tem um custo social.

O que fazer numa cidade já caótica como São Paulo?
O metrô é uma solução cara e de longo prazo, mas deve ser perseguida. Mas é preciso também reorganizar o espaço da superfície.
O BRT [ônibus de trânsito rápido], adotado em Curitiba (PR), tem se mostrado como uma boa alternativa, capaz de contribuir, em conjunto com outras medidas, para uma melhoria na saúde pública. E o seu custo é menor quando comparado a outros meios de transporte.
Parte de Bogotá, por exemplo, se transformou depois da adoção do sistema de BRT.
Trabalhadores chegam andando até a parada do ônibus. Há conexão com ciclovias e espaços para pedestres.
O Estado tem papel central nisso. Precisa esclarecer quais os custos e benefícios das alternativas e informar a sociedade sobre isso.

O transporte público foi o estopim dos protestos que atingiram o país. Como o sr. avalia as manifestações?
É fundamental não reduzir o debate apenas à questão das tarifas. O momento é também de discutir qualidade e a eficiência do sistema de transporte.

Por que as políticas de transporte estão tão dissociadas das de saúde pública?
Pode ser uma questão cultural. As pessoas não param para pensar nessas conexões.
Às vezes precisa de alguém, um visionário com coragem para fazer isso.
Na Europa, até anos atrás, ninguém levava a sério o uso da bicicleta como meio transporte. Agora é chique. Paris, Barcelona, Amsterdã. São várias as cidades bicicletáveis".

Grande abraço!