domingo, 11 de maio de 2014

Homenagem às Mães


Ser mãe é ser responsável por ensinar os primeiros passos da vida a seus filhos...
Passos que não limitam ao movimento coordenado e equilibrado do corpo...
Mas também os passos da formação de cidadão de bem...
Que, quando adulto, o filho necessitará enfrentar um mundo cheio de obstáculos...
Obstáculos físicos da circulação urbana e obstáculos à moral e ética...

Ser mãe é ser responsável por ensinar os caminhos corretos da vida a seus filhos...
Caminhos que não limitam as rotas mais curtas e rápidas das ruas de uma cidade...
Mas também os caminhos que levam ao reconhecimento de cidadão de bem...
Que, quando adulto, o filho necessitará enfrentar um mundo cheio de opções...
Opções na escolha de vias urbanas e opções de vias (i)morais e (anti-)éticas...

Ser mãe é ser responsável por ensinar o destino a ser alcançado na vida a seus filhos...
Destino que não se limita ao lugar físico em uma cidade...
Mas também o destino maior que um cidadão de bem deve alcançar...
Que, quando adulto, o filho necessitará enfrentar um mundo cheio de destinos...
Destinos físicos de um ambiente urbano e destinos que satisfazem o ser humano: ser moral e ético. 

Feliz dia das mães!
Higor Guerra

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Dia de Bike ao Trabalho




Maio é o mês da bicicleta, comemorado em todo mundo, e hoje (09/05) é o dia escolhido para ir de bike ao trabalho (confira a reportagem clicando aqui). Nesse espírito, vamos hoje dedicar uma matéria às questões relacionadas ao transporte por bicicleta.

Apresentação Rodas da Paz

Ontem eu participei do GT de Mobilidade do Movimento Nossa Brasília. A ONG Rodas da Paz, por meio do seu Presidente Jonas Bertucci, fez uma rica e qualificada apresentação sobre o transporte por bicicleta no Distrito Federal, apresentando diagnósticos, gráficos, avaliações das ações governamentais, políticas públicas, boas práticas de outras cidades, entre outros. 

Além da apresentação, o tema foi debatido em profundidade entre pessoas que vivenciam o transporte por bicicleta. Destaco a questão de implantação de uma política pública que trate o transporte por bicicleta como uma alternativa de deslocamento urbano (saudável, seguro, sustentável e ágil), no qual o cidadão consiga de fato cumprir uma viagem desde sua origem até o seu destino. O planejamento integrado, repensando e priorizando o transporte não motorizado, é fundamental na construção de uma nova ordem de circulação no espaço urbano. 

É muito raso tratar o assunto simplesmente com a implantação de infraestrutura. Assim, os parâmetros a serem utilizados na política de transporte por bicicleta não deveriam se ater  apenas a questões relacionadas à quilometragem de ciclovias implantadas, mas também considerar o número de usuários que utilizam a bicicleta, estatísticas de segurança viária, dados sobre qualidade do ar, entre outros.

Interessante também é o documento com contribuições do Rodas da Paz no Seminário Mobilidade Sustentável  promovido pela Câmara Legislativa do Distrito Federal. Trata-se de propostas que são divididas em 5 eixos (no qual aprofundaremos em outra oportunidade):

  • Mudança de Paradigma de Segurança
  • Controle Social
  • Transporte Público e Desestímulo ao Uso do Automóvel
  • Política Cicloviária
  • Valorização do Pedestre

Leis Distritais

Segue uma lista de leis distritais sobre o sistema cicloviário do DF:
  • Lei nº 3.885, de 07 de julho de 2006, no qual "assegura, na forma que especifica, política de mobilidade urbana cicloviária de incentivo ao uso da bicicleta no Distrito Federal, e dá outras providências".

Guia com informações para pedalar nas cidades brasileiras

Por fim, aproveito também para divulgar o Guia Bicicletando, no qual é possível encontrar várias informações para pedalar nas cidades brasileiras: http://www.bicicletando.com.br/guia/.

Espero ter contribuído e contem comigo!
Forte abraço,
Higor Guerra



quinta-feira, 8 de maio de 2014

Padrão Metrô de qualidade


Prezadas(os),

Segue artigo do Branco, superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos - ANTP, sobre os elementos que cativam o usuário do transporte público. O Branco foi meu tutor no  Curso de Gestão da Mobilidade Urbana que fiz no ano passado, um profissional muito qualificado. O texto é bem elucidativo e apresenta os diferenciais de um bom e atraente sistema de transporte público coletivo, citando como exemplo o serviço de metrô da cidade de São Paulo. Há ainda umas dicas para que o transporte por ônibus também seja atraente. Confiram!

Abraços,
Higor Guerra.


Metrô: o que ele tem que todos gostam?
Luiz Carlos Mantovani Néspoli (Branco)
Superintendente da ANTP
04/01/2014 07:00
Fonte: ANTP
Clique aqui para ver o original

Questionados se mudariam para o transporte coletivo, grande parte dos motoristas entrevistados respondem que aceitariam, desde que ele tivesse mais qualidade e, invariavelmente, apontam o metrô como o paradigma da grande solução. O mesmo acontece com a população quando pesquisada nos bairros da cidade. Por que, afinal, o metrô é tão bem quisto, ao contrário do que acontece com o transporte por ônibus?

Para melhor compreender porque isso é assim, é necessário observar quais são as qualidades do metrô que tanto agradam a população e como esse padrão de qualidade foi construído ano a após ano. Depois disso, como essa experiência pode ser transferida para os ônibus.

Para um bom entendimento é importante separar a discussão em dois aspectos importantes: de um lado o sistema em si – a infraestrutura, o veículo, as estações, o sistema de controle; de outro lado, a empresa Metrô e como ela se organizou desde o início para tirar o máximo proveito da tecnologia e quais foram os princípios adotados de atendimento ao público.

O metrô é um sistema de trens que circulam em via própria, sem qualquer obstáculo, sem cruzamentos e sem interferências de outros meios de transporte. São composições com seis carros, cada qual com quatro portas amplas e que permitem a realização simultânea de embarque e desembarque. Todos os sistemas de informações de tráfego, energia elétrica e sistemas de observação (câmeras) são duplamente centralizados: em cada estação há uma sala de controle que permite observar tudo o que acontece por ali; e há o Centro de Controle Operacional, que tudo vê e observa, com painéis de monitoração 24 horas por dia. Essa organização de sistemas tecnológicos permite um total controle sobre todos os equipamentos e, especialmente, sobre a circulação de trens. Essa é uma das condições que permite certos itens de qualidade que serão descritos mais à frente.

As estações são espaçadas entre si de um a dois quilômetros, com plataformas situadas no mesmo nível do piso dos trens. São arquitetonicamente bem construídas, com equipamentos que facilitam a movimentação dos usuários, especialmente em grandes desníveis, como as escadas rolantes. São iluminadas, com grande disponibilidade de informações sonoras produzidas pelos seus funcionários. Contam, ainda, com informações em painéis bem distribuídos, onde se pode consultar a rede de metrôs, outras estações e onde fazer conexões com outras linhas. Contam, também, com mapas dos arredores da estação, que mostram as ruas e principais logradouros num raio de 500 m.

Os trens são bem iluminados, a maioria já com ar condicionado e os usuários são informados continuamente pelo sistema de som interno dos carros. São permanentemente limpos, com aparência de veículos modernos, mesmo aqueles com 40 anos de uso! Há informações sobre as estações da mesma linha e pontos de conexão, além de mensagens institucionais e educativas. Para distrair os usuários, há monitores com informações e notícias de interesse social.

Para manter um funcionamento adequado, seus funcionários, de todos os níveis, seguem rigorosos procedimentos e passam por treinamentos tanto mais sofisticados quanto mais complexas são as tarefas. Um operador de trem não assume a função antes de alguns meses de treinamento; um controlador de trafego, antes de alguns anos de trabalho com trens e muitos meses de treinamento intensivo. Um supervisor de CCO precisa de anos de experiência em funções inferiores e um treinamento que dura meses.

Mas toda esta tecnologia e essas qualidades próprias do sistema metrô, embora absolutamente necessárias, não seriam suficientes para garantir a qualidade dos serviços que o usuário identifica e elogia. Se fosse assim, não teríamos ainda sistemas ferroviários em situações precárias no país, porque deixados assim anos a fio. É necessária uma gestão voltada para o usuário, para a qualidade de atendimento público.

O metrô, empresa, desde sua inauguração, considerou seu usuário como o centro das atenções. A manutenção do sistema foi sempre tratada com prioridade, cuja qualidade foi reconhecida e certificada pela ISO. Não há trens ou estações sujas, equipamentos quebrados ou vandalizados, e as falhas, normais em sistemas de transporte, são corrigidas imediatamente, e estatisticamente com pouca repercussão para o público.

Mas o essencial é o tratamento dado ao usuário, desde seu início. Já em 1974, operando ainda de Jabaquara a Ana Rosa, as estações já contavam com caixas de sugestões/reclamações e uma central de atendimento ao usuário, antecipando em 20 anos a criação dos SACs, bem como as exigências que só viriam com o Código do Consumidor. Este conceito de atendimento foi mantido até hoje, com modernização na forma, com a utilização do Portal da Companhia, SMS e outras ferramentas de redes sociais. Acrescente-se pesquisas de opinião, levadas a efeito desde o início de sua inauguração, ouvindo-se o usuário sobre vários aspectos da qualidade do serviço.

Essa foi a ideia pioneira em transporte no Brasil: o usuário em primeiro lugar!

Seus funcionários de estação, sempre dispostos a dar informações e prestar boa orientação do público, são treinados para prestar um bom atendimento e fazem isso com esmero.

O sistema é complexo, transporta hoje 4,5 milhões de pessoas por dia. Onde há multidões, é natural que ocorram problemas de saúde, mal estar e, por isso, o sistema conta com ambulâncias e atendimento hospitalar gratuito para seus usuários, a tal ponto que mães pobres, com parto iminente, aprenderam a entrar nas estações para serem atendidas e encaminhadas aos hospitais.

O conjunto de sistemas tecnológicos, com ênfase em procedimentos, treinamento de pessoal e a existência de centrais de controle operacional, permite oferecer aos usuários um transporte limpo, com regularidade, confiabilidade, pontualidade e segurança. O metrô, de fato, está lotado em certos períodos e trechos da viagem, mas o usuário sabe que há uma composição a cada dois minutos e que, uma vez embarcado, a viagem dura exatamente o mesmo tempo todos os dias, o que proporciona confiança. A atenção dada ao sistema – manutenção, conservação e limpeza - e a forma e qualidade do atendimento ao público – relações pessoais, orientações, informações – resultam num tratamento ao usuário primado pela dignidade, o que o faz se sentir bem atendido e respeitado.

São essas virtudes que fazem do metrô o sistema de transporte coletivo mais desejado pela população. O que falta ao ônibus, então?














Pode parecer exagero, mas são exatamente estas oito recomendações que fazem do metrô, há 40 anos, o sistema de transporte mais bem avaliado da cidade e uma das empresas mais bem avaliadas do Brasil. Se a sociedade automobilizada não reclamar tanto com as medidas sendo tomadas para melhoria do transporte por ônibus, não será impossível levar o padrão de qualidade reconhecido no metrô também para o transporte coletivo nas ruas, se considerarmos que parte destes itens já são realidade, apenas exigindo outras formas de gestão e medidas adicionais às atuais faixas exclusivas colocadas em operação, o que vai requerer ainda algum tempo.

Destaques: Higor Guerra
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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Decifrando a Lei >> Parte 5: Diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana


Prezadas(os),

Vamos dar continuidade ao trio princípios, diretrizes e objetivos da nossa Política Nacional de mobilidade Urbana? Vamos tratar hoje das diretrizes.

Segundo o Dicionário Michaelis/UOL On-line (http://michaelis.uol.com.br/), a palavra diretriz vem do latim diretrice, e pode significar a "linha segundo a qual se traça um plano de qualquer caminho", ou ainda, no campo empresarial, o "conjunto de instruções ou indicações para se levar a termo um negócio ou uma empresa"

A ideia de diretriz que costumo aplicar na minha vida é a figura de uma trilha. Quando caminhamos por uma trilha em uma mata fechada seguimos para um determinado lugar, seguindo um rumo. A trilha é importante pois orienta o caminho. Outras pessoas já passaram por essa mata e já consolidaram aquela trilha como a melhor opção para chegar a um determinado lugar.

Não confundamos trilha com trilho. O trilho não permite flexibilizações no seu caminhar, tem que seguí-lo e pronto. Já a trilha é mais flexível podendo andar no centro ou nas suas bordas. Ambos te conduzem para o mesmo lugar, mas caminhar sobre o trilho é seguir sempre as mesmas regras, independente da situação, sem concessões.



A Política Nacional de Mobilidade Urbana é orientada pelas seguintes diretrizes (Lei 12.587/2012, art. 6º): 

I - integração com a política de desenvolvimento urbano e respectivas políticas setoriais de habitação, saneamento básico, planejamento e gestão do uso do solo no âmbito dos entes federativos; 

II - prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado; 

III - integração entre os modos e serviços de transporte urbano; 

IV - mitigação dos custos ambientais, sociais e econômicos dos deslocamentos de pessoas e cargas na cidade; 

V - incentivo ao desenvolvimento científico-tecnológico e ao uso de energias renováveis e menos poluentes; 

VI - priorização de projetos de transporte público coletivo estruturadores do território e indutores do desenvolvimento urbano integrado; e 

VII - integração entre as cidades gêmeas localizadas na faixa de fronteira com outros países sobre a linha divisória internacional. 

Os planos de mobilidade das nossas cidades devem ser orientados por essas diretrizes. O primeiro aspecto é a integração do Sistema de Mobilidade com o planejamento urbano da cidade. Parece óbvio, mas existem muitos conjuntos habitacionais de cidades grandes que não possuem oferta de transporte público coletivo. Há falta de sintonia nos investimentos públicos, no qual se pavimentam vias e depois passam infraestrutura de saneamento básico (esgotos, águas pluviais, etc). Entre outros absurdos.

O inciso segundo do art. 6º é frequentemente comentado por nós. Mesmo assim, ainda existem muitas ações governamentais que visam a priorização do transporte individual motorizado. Parece que esses políticos e gestores estão caminhando na trilha, mas no sentido contrário ao objetivo de construção de cidades sustentáveis e que respeitam o ser humano.

Verifica-se também que existem diretrizes voltadas as causas ambientais e de desenvolvimento científico e tecnológico. Neste quesito, eu questiono: quais medidas concretas são observadas na cidade onde você mora? Em sua cidade, existe algum incentivo para a realização de deslocamentos de pessoas e cargas de forma a reduzir a emissão de poluentes atmosféricos? Quais são os incentivos aos estudos, pesquisas e produção tecnológica na área da mobilidade urbana?

Já o inciso IV coloca em pauta a questão do transporte orientado ao desenvolvimento urbano. Já falamos sobre o assunto em algumas oportunidades, a exemplo da Matéria "Vídeo sobre o Transporte Orientado ao Desenvolvimento". Trata-se de aproveitar o potencial de indução do desenvolvimento social, econômico, cultural e ambiental.

Que nossos políticos e gestores públicos possam trilhar os caminhos de um Sistema de Mobilidade Urbana que permita o acesso universal às nossas cidades, por meio do planejamento e da gestão democrática.

Um grande abraço!
Higor Guerra

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