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sexta-feira, 30 de maio de 2014

O compartilhamento de bicicletas chegou no DF!

Créditos: http://www.mobilicidade.com.br/bikebrasilia/home.asp#

Pessoal,

Ultimamente estamos postando matérias sobre o sistema de transporte por bicicleta. Estamos conhecendo as propostas do pessoal do Rodas da Paz, vimos o vídeo do ciclista Uirá, aderimos à campanha "De Bike ao Trabalho" e discutimos a questão de encararmos efetivamente a bicicleta como meio de transporte. Dia 28/05/14 houve a inauguração do sistema de compartilhamento de bicicletasVamos conhecer esse sistema?

Abraços,
Higor Guerra

As informações são do site http://www.mobilicidade.com.br/bikebrasilia/:

O Sistema de Bicicletas Públicas Bike Brasília visa oferecer à cidade de Brasília uma opção de transporte sustentável e não poluente. Implantado e operado pela empresa Serttel apoiada pelo Banco Itaú.

Conceito aplicado:

O Sistema Bike Brasília composto por Estações inteligentes, conectadas a uma central de operações via wireless, alimentadas por energia solar, distribuídas em pontos estratégicos da Cidade, onde os Clientes cadastrados podem retirar uma Bicicleta, utiliza-la em seus trajetos e devolvê-la na mesma, ou em outra Estação. 

Objetivos:

  • Introduzir a Bicicleta como modal de Transporte Público saudável e não poluente;
  • Combater o sedentarismo da população e promover a prática de hábitos saudáveis;
  • Reduzir os engarrafamentos e a poluição ambiental nas regiões centrais das cidades;
  • Promover a humanização do ambiente urbano e a responsabilidade social das pessoas

A bicicleta:
  • Quadro em alumínio;
  • Espelho Retrovisor;*
  • Selim anatômico com ajuste de altura;
  • Pedais e rodas com refletores;*
  • Guido emborrachado;
  • Suporte personalizado para artigos pessoais;
  • Buzina tipo campainha;*
  • Sinalização refletiva (dianteira e traseira);*
  • Suporte de descanso;
  • Pino de engate e travamento;
  • Etiqueta eletrônica para identificação da Bicicleta;
  • Câmbio de 3 marchas;
  • Paralamas personalizado para publicidade.
*Respeitando o Código de Trânsito Brasileiro

Estações de bicicletas compartilhadas:
  • Gerenciada por computador;
  • Uso de energia solar e comunicação wireless;
  • Painel com Instruções de uso e mapa com a localização das Estações;
  • Diversos modelos de Estações;
  • Dispositivos eletromecânicos de travamento e liberação das Bicicletas;
  • Lâmpadas de sinalização;
  • Liberação da Bicicleta via aplicativos inteligentes para telefone celular.
Como Utilizar
  • Credenciamento Anual-R$10,00: (feito no site http://www.mobilicidade.com.br/bikebrasilia/)
  • Mapa: Veja o mapa no site a localização das Estações e dirija-se a qualquer uma delas para retirar a Bike desejada, ligando para o portal de voz ou utilizando o aplicativo para as plataformas Android, iPhone e Windows Phone usando os dados cadastrais.
  • Retirada da Bicicleta na Estação: Através do aplicativo para smartphones (baixe o aplicativo para iPhone ou Android ou Windows Phone) ou ligação de celular (ligue para o número 4003 9846).
    • Digite o número da Estação que deseja retirar a Bicicleta;
    • Digite o número da posição da Bicicleta escolhida;
    • Confirme a operação e puxe a Bicicleta quando a luz verde estiver acesa.
  • Uso da Bicicleta: 
    • Você pode fazer quantas viagens quiser durante todo o dia. As Estações de compartilhamento funcionam todos os dias, de 6h as 00:00h.;
    • Viagens de até 1 hora são gratuitas, desde que sejam realizadas com intervalo de pelo menos 15 minutos entre elas;
    • Viagens com duração de mais de 1 hora serão tarifadas à parte, no valor de R$ 5,00 por cada 1 hora de utilização;
    • Através do celular ou do aplicativo Bike Brasília o Cliente pode consultar as de Bicicletas disponíveis e de vagas para devolução, ligando para 4003 9846 ou acessando a internet: www.bikebrasilia.com
  • Devolução da Bicicleta na Estação: A devolução da Bicicleta pode ser realizada em qualquer Estação disponível. Escolha uma posição livre. Encaixe a Bicicleta e verifique se a mesma está devidamente travada. Se a Estação estiver sem espaço para a sua Bicicleta, ligue para a Central de Atendimento ao Cliente: 4003 9846.
  • Memorial JK/Tribunais/Praça Buriti
  • Centro Convenções/Estádio
  • Rodoviária Brasil
  • Torre TV
  • Setor Hoteleiro Norte
  • Setor Hoteleiro Sul
  • Congresso República
  • Catedral
  • N1
  • S1
Há ainda a possibilidade de verificar o extrato de pagamento e utilização do sistema.


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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Carona Solidária

Estimadas(os),

Já falei que Brasília tem potencial para ser um polo de desenvolvimento tecnológico na área de mobilidade urbana, no qual haveria estímulos para realização de estudos, pesquisas e produção tecnológica. Temos excelentes técnicos e pesquisadores na área.

Recentemente estive na Universidade de Brasília (UnB) e encontrei com o amigo e Professor Pastor Willy Gonzales. Ele me atualizou sobre o desenvolvimento do Programa Carona Solidária UnB.  Trata-se de uma iniciativa que engloba diversos cursos, grupo e setores da universidade: professores e alunos de engenharia, comunicação, computação, Núcleo de Agenda Ambiental, etc.



Como Transportar 45 pessoas sentadas?


A carona solidária busca a racionalização das viagens realizadas entre usuários, reduzindo do número de carros nas ruas, economizando custos e contribuindo para um meio ambiente melhor. Entretanto, os benefícios da prática da carona solidária podem ir além. No caso dos alunos da UnB, por exemplo, a medida promove a troca de ideias e a socialização entre alunos de diferentes áreas. 

Professor Pastor Willy Gonzales

Atualmente, um grupo de professores e alunos estão desenvolvendo um website para facilitar as caronas. Esse ambiente virtual prevê cadastramento dos participantes (motoristas e caronas) o que permitirá maior segurança e organização das rotas e horários. Enquanto o website não fica pronto, os alunos, professores e funcionários da UnB podem combinar previamente as rotas, os pontos de encontro e os horários por meio das redes sociais (facebook). Além disso, há também pesquisas de opinião e espaço para sugerir ideias sobre pontos de carona, adesivos nos carros dos participantes, comportamento no trajeto etc. 

Saiba mais:


Essa iniciativa pode ser multiplicada para outras grandes instituições (órgãos públicos, empresas privadas etc), o que ajudaria a minimizar problemas como o congestionamento e a insuficiência de estacionamento público. Entretanto, cabe observar algumas medidas de segurança:
  • Evite embarques ao longo do meio-fio das vias, procure pontos de carona seguros como os estacionamentos;
  • Combine previamente a rota e horário;
  • Busque conhecer as pessoas, não se envolva com estranhos;
  • Fique atento ao transporte clandestino (ação que deve ser combatida);
  • Tenha em mente que você pode não conseguir a carona, portanto, tenha alternativas, principalmente para voltar a noite para casa.


É preciso ter em mente que a prática da carona solidária deve ser tratada como uma medida auxiliar na melhoria da mobilidade urbana. O principal esforço continua em dotar a cidade de sistema de transporte público coletivo de qualidade e investir em infraestrutura de transporte não motorizado (ciclovias, calçadas etc).

Abraços,
Higor Guerra





sexta-feira, 11 de abril de 2014

e-Mobility e a recarga de veículos elétricos por indução


Olá pessoal!

Como será nossa cidade no futuro? O que acontecerá com os veículos elétricos? Bom, só teremos respostas a essas perguntas no futuro. Mas, podemos construir um futuro a partir de hoje! Na atualidade, existem tecnologias que começam a se destacar e que possuem vasto campo de crescimento em um futuro próximo. Um exemplo disso é o wireless, já presente nos lares de muitas famílias brasileiras.

Movimentar veículos (trens, ônibus, carros, bicicletas...) requer energia. É possível transferir energia por indução, ou seja, sem necessidade de contato físico, sem fio. Assim, por que não pensar em vias dotadas de infraestrutura que permitem a recarga de veículos sem o uso de fios? Pois bem, existem empresas já desenvolvendo estas ideias e cidades implantado essa tecnologia.

Já disse aqui no blog que Brasília poderia se tornar um polo de desenvolvimento na área de mobilidade urbana, com políticas públicas de incentivo aos estudos, pesquisas e produção tecnológica. Vamos dar um passo além e buscar redirecionar nossas ações para que possamos ter uma Brasília Sustentável, Acessível, Democrática e Humana!

Um forte abraço e contem comigo!
Higor Guerra


O futuro da mobilidade urbana com veículos elétricos
Leia o primeiro "miniartigo" do novo colaborador do Mobilize que, de Portugal, comentará novidades sobre: sustentabilidade, energia nos transportes e novas tecnologias


Fonte: Mobilize Brasil 
Autor: Cláudio Mantero*
Postado em: 30 de janeiro de 2014

O primeiro assunto que tratarei será tecnologia em eletrificação. Para começar, vamos imaginar para além do que vemos hoje na mobilidade urbana utilizando veiculos elétricos. E a canadense Bombardier já deu o passo adiante ao desenvolver o projeto Primove.

A nova tecnologia criada pela empresa permite que bondes, ônibus e carros elétricos (talvez até bicicletas elétricas) possam rodar pelas ruas usando um mesmo sistema de alimentação sem fios. O segredo está na instalação subterrânea elétrica que transfere a energia para os veículos por um sistema de indução. Sem cabos, com menos manutenção, menor interferência visual e com mais segurança. O melhor, para entender, é ver o vídeo da Bombardier sobre o novo sistema.


Sistema de recarga por indução Primove

O modelo já foi implantado em algumas cidades da Europa, como Augsburg, Braunschweig e Mannheim (Alemanha), e Lommes (Bélgica). É o futuro: uma solução promissora, em que os vários modos são integrados numa rede de recarga rápida e abrangente, por proximidade (wireless). 

*Cláudio Mantero lidera o Departamento de Pesquisa e Planejamento da empresa Horários do Funchal - Transportes Públicos S.A. (Portugal)


sexta-feira, 28 de março de 2014

Ônibus elétrico recordista em autonomia


Prezadas(os),

Conheçam o ônibus elétrico recordista em autonomia! Mais um ganho na sustentabilidade urbana! Brasília precisa incentivar esse tipo de iniciativa. Brasília poderia ser um polo nacional de desenvolvimento tecnológico, estudos e pesquisas em Mobilidade Urbana Sustentável. Isso seria bom para nossa cidade e iria promover uma mudança nesse cenário poluído e de extrema dependência do carro. Vamos pensar nisso!

Abraços todas(os) e tenham um ótimo fim de semana!
Higor Guerra


Copenhague testa ônibus elétrico com autonomia recorde
Investida é parte dos planos da cidade dinamarquesa para se tornar neutra em carbono até 2025. Ônibus faz 325 km com uma única carga de bateria
Fonte: Exame 
Autor: Vanessa Barbosa
Postado em: 26/03/2014


Paraíso dos ciclistas e cidade modelo em mobilidade sustentável,Copenhague quer revolucionar a forma de se locomover, de novo. Depois das bicicletas, a capital da Dinamarca resolveu apostar nos ônibus 100% elétricos.

A investida é parte dos ambiciosos planos desse país europeu de alcançar a neutralidade em carbono até 2025. Mas não se trata de qualquer ônibus, claro, mas sim de um recordista. Os resultados do período de testes impressionam.

O veículo feito pela BYD, uma empresa chinesa especializada em fabricação de baterias, percorreu 325 km com uma única carga, um recorde para um ônibus apenas movido a eletricidade. Detalhe: mesmo depois do longo trajeto, o veículo ainda tinha 8% de carga.

Os primeiros testes com os dois e-bus que estão em cirulação começaram há pouco mais de quatro meses e têm duração prevista de dois anos. Eles percorrem rotas variadas sob as mais diferentes condições de trânsito.

Neste primeiro momento, os testes acontecem em torno de rotas turísticas da cidade. Com capacidade para 40 pessoas, os ônibus elétricos são menores e mais estreitos do que os convencionais, facilitando o acesso a ruas antigas.

No longo prazo, com a introdução dos veículos à frota convencional, a prefeitura da cidade espera não só reduzir as emissões de gases de efeito estufa e outros poluentes, como gerar economia nos gastos com energia, uma vez que a eletricidade custa menos do que o diesel por lá.

Acesse aqui a matéria original da Mobilize Brasil.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Estacionamento subterrâneo na Esplanada e o recado implícito da insustentabilidade e do descaso com o cidadão


Por sugestão da minha amiga e vizinha Marilzete, vamos hoje tratar sobre o Estacionamento subterrâneo na Esplanada, que está no PPCUB (conheça mais, clicando aqui).

Sobre o assunto, eu estava lendo o blog do Chico Sant'Anna e encontrei a interessante matéria "A gente não quer estacionamento subterrâneo na Esplanada" (clique aqui e veja!), publicado originalmente no blog Quadrado. Muito bom, recomendo!

Temos que saber o que a gente quer para a nossa cidade! Queremos uma cidade sustentável ou insustentável? Construir um estacionamento subterrâneo implica imaginar que mais carros vão vir até o centro da Capital Federal. É um reforço ao estímulo ao uso do automóvel. É mais congestionamento! É mais deseconomia! É mais estresse! É mais poluição!

Sabe qual é o recado implícito que enxergo nesse estacionamento subterrâneo? São nossos governantes dizendo aos cidadãos: "Aqui está a infraestrutura, agora se vire para realizar seus deslocamentos. Compre seu carro, pague os impostos, o combustível e a manutenção, e venha para a Esplanada". Penso que o correto seria: "Caro cidadão, para se deslocar na cidade, além do seu carro, você tem a opção do metrô, do ônibus de qualidade, da bicicleta e das calçadas. São opções sustentáveis, confortáveis e mais baratas".

Enquanto alguns tomadores de decisão de Brasília continuam vislumbrando este tipo de "solução" para a mobilidade urbana do Distrito Federal, em Paris estão sendo aplicadas ações públicas sustentáveis: incentivos à bicicleta e ao transporte público e desestímulo ao uso do carro. Veja a matéria  abaixo do Portal Mobilize Brasil.



Paris oferece bicicletas e transporte público
 gratuito para driblar poluição
Para solucionar estado de alerta, capital francesa libera uso de metrôs, trens, ônibus e bicicletas
Fonte: Opera Mundi |  Autor: Da redação  |  Postado em: 14 de março de 2014
Acesse o original clicando aqui.

Em estado de alerta máximo devido a um pico de poluição, a Prefeitura de Paris liberou o pagamento de aluguel para bicicletas e carros elétricos desde a manhã desta quinta-feira (13/03). A partir das 5h30 locais de amanhã (14/03), os transportes públicos também serão gratuitos até a noite de domingo (16/03) na região administrativa de Île-de-France, que engloba a capital francesa.

Há três dias em alerta em virtude do clima seco e de temperaturas anormalmente elevadas para os parâmetros de inverno europeu, o sindicato de transportes da île-de-France tomou a decisão de abranger os metros, trens e ônibus. A iniciativa propõe diminuir a frota de carros durante o período para evitar que a poluição aumente nas grandes cidades.

“Considerando os importantes riscos para a saúde dos franceses, decidimos, em conjunto ao governo, garantir que os transportes públicos sejam gratuitos durante este pico de poluição”, declarou o presidente do sindicato da região, Jean-Paul Huchon, ao Le Monde. “Peço que todos os cidadãos privilegiem o uso da rede pública”, acrescentou.

Na quarta (12/03), a Prefeitura de Paris já havia anunciado para hoje o aluguel gratuito das bicicletas de baixo custo “Velib’” (semelhante aos sistemas de bikes dos bancos Itaú e Bradesco em São Paulo) e dos carros elétricos não poluentes, “Autolib’”. Na tentativa de driblar a onda de poluição, as autoridades municipais da capital também se comprometeram a parar com a utilização de todos os veículos municipais que não sejam “estritamente indispensáveis”.

Já nas estradas, o limite de velocidade também foi reduzido de 130 km/h para 110 km/h e de 90 km/h para 70 km/h. De acordo com a polícia local, o controle de velocidade será reforçado e a circulação de caminhões cuja carga supere 3,5 toneladas será suspensa. No sábado (15/03), a prefeitura vai analisar a evolução dos níveis de poluição e, caso não haja melhora, novas medidas devem ser tomadas. 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Contribuições das empresas para melhorar a mobilidade urbana

Prezadas(os),

Além do Poder Público implantar políticas que visem uma cidade sustentável, acessível, democrática e humana, é preciso que as instâncias governamentais também discutam com as empresas a adoção de medidas que possam auxiliar na mobilidade urbana. Saber das empresas quais são suas contribuições para um cidade melhor.

Vejam aqui cinco maneiras das empresas ajudarem na mobilidade urbana, conforme orientações de especialistas:

  • Adoção de horários flexíveis
  • Promoção do trabalho em casa
  • Maior exploração dos sistemas de telecomunicações
  • Implantação de políticas de incentivo
  • Planos de Mobilidade

Saiba mais lendo a matéria da nossa parceira Mobilize Brasil.

Um forte abraço!
Higor Guerra

5 maneiras das empresas ajudarem na mobilidade urbana
Nas metrópoles brasileiras, a (i)mobilidade urbana já é um problema 
tão urgente que não dá mais para esperar, apenas, por medidas dos governos

Autor: Débora Spitzcovsky
Postado em: 02 de dezembro de 2013
Fonte:Planeta Sustentável

Engarrafamentos, poluição, barulho, transporte público de má qualidade... Quando o assunto é mobilidade urbana, as críticas daqueles que vivem nas metrópoles brasileiras são várias e, se nada for feito, o problema - que já é grande - pode se intensificar muito nos próximos anos. Dados da Organização das Nações Unidas apontam que, até 2050, a população mundial ultrapassará os nove bilhões e 75% das pessoas viverão em áreas urbanas. Como consequência, o número de carros nas grandes cidades deve dobrar nos próximos 30 anos.

A questão é urgente e, por isso mesmo, foi o tema da edição 2013 do Exame Fórum de Sustentabilidade, que aconteceu em 19/11, em São Paulo. "Pela gravidade da situação, não podemos mais esperar os governos agirem. As soluções de mobilidade urbana devem vir de todos os atores da sociedade e, principalmente, das empresas, que podem fazer muito nesse sentido", afirmou Rachel Biderman, diretora do instituto de pesquisa ambiental WRI no Brasil.

Ao lado de outros especialistas, ela defendeu que a mobilidade urbana faça parte das políticas de responsabilidade corporativa e listou cinco iniciativas que as empresas podem adotar para, em curto prazo, ajudar a desatar o nó da mobilidade nas metrópoles brasileiras. 

1. HORÁRIOS FLEXÍVEIS 
Nas cidades sustentáveis, as empresas que exigem que os funcionários cumpram o horário comercial estão, cada vez mais, com os dias contados. Quem acredita nisso éGilberto Peralta, presidente da GE, que defende que, em um espaço curto de tempo, uma iniciativa corporativa que pode contribuir para a mobilidade nas metrópoles brasileiras é a adoção de horários flexíveis.

"Muitas empresas já adotam essa prática. Estabelece-se a quantidade de horas que o funcionário deve cumprir na semana e, então, ele monta seu horário como quiser, podendo, por exemplo, fugir dos horários de pico", explicou Peralta.

Ele deixou claro que a iniciativa é muito boa, mas exige que os empregados tenham responsabilidade para manter sua produtividade e cumprir com os prazos exigidos. "Claro que não são todos os setores da empresa que podem implantar a prática. Uma área de produção, por exemplo, exige horários mais fixos, mas em geral dá para adotar horários mais flexíveis com sucesso nas companhias", afirmou.

2. HOME OFFICE 
Permitir que se trabalhe em casa, durante alguns dias da semana, é outra prática que está se tornando cada vez mais comum nas empresas para evitar que seus funcionários contribuam com os índices de congestionamento das cidades. "Se o gestor conhece bem o seu time, não há necessidade de estar cara a cara com a equipe o tempo todo", defendeu Ulisses Mello, diretor de operações da IBM. 

No entanto, para implantar o home office, as companhias precisam tomar alguns cuidados. A prática deve ser dosada, para evitar o isolamento dos funcionários, e as empresas devem oferecer condições para que os empregados consigam trabalhar em casa. "Na Accenture, cada pessoa tem seu próprio computador e celular, mas a empresa instala váriasferramentas de colaboração que permitem que os funcionários consigam trabalhar de casa com esses equipamentos, porque estão conectados à rede corporativa", contouCarlos Pedranzini, diretor executivo da Accenture.

Nos EUA, algumas empresas implantaram o home office e depois voltaram atrás, alegando perda de produtividade, mas em geral os especialistas acreditam que a medida funciona. "Isso é uma questão cultural que pode ser facilmente vencida. Sem dúvida, o funcionário que não passou uma hora apertado no ônibus, no verão, para ir trabalhar vai produzir muito mais do que alguém que passou por essa situação", afirmou Ulisses Mello. Ele é contra a atitude das empresas norte-americanas: "Não é inteligente suspender a prática de home office, porque determinados funcionários não rendem. Os gestores devem endereçar o problema, ou seja, lidar com as pessoas de forma individual e chamar a atenção de quem não está de acordo com a política da empresa".

3. SISTEMAS DE TELECOMUNICAÇÃO 
Apostar em equipamentos de telecomunicação que permitam que os funcionários possam realizar reuniões sem deixar o espaço físico da empresa também é uma boa maneira de reduzir os deslocamentos corporativos. "E, de quebra, há redução de custos também, porque a companhia economiza em viagens. Sem contar que o rendimento dos empregados aumenta, já que não perdem tempo em trânsito", explicou Pedranzini. 

4. POLÍTICAS DE INCENTIVO 
Em grandes companhias, é difícil que todos os funcionários se conheçam. Muitas vezes, há pessoas que moram perto e têm horários de trabalho parecidos, mas não vão juntas para a empresa porque não se conhecem. "A empresa pode ter papel de agregadora. Ela pode coordenar um programa de caronas, por exemplo, que coloque em contato pessoas que têm rotas e horários compatíveis", sugeriu Pedranzini.

Ele aproveitou para lembrar que também é importante as companhias oferecerem estrutura para quem está disposto a abrir mão do carro para ir trabalhar. "Um vestiário, por exemplo, é bacana para os ciclistas, skatistas ou pedestres que quiserem tomar uma ducha em um dia de calor, assim como um bicicletário. Ter esse tipo de alternativa na empresa pode ser fator decisivo para uma pessoa tomar a decisão de não ir de carro para o trabalho", argumentou.

5. PLANO DE MOBILIDADE 
Para Rachel Biderman, as iniciativas de mobilidade urbana estão ganhando cada vez mais espaço nas empresas brasileiras, mas de forma muito tímida. Por isso, a diretora do WRI Brasil é a favor de um "empurrãozinho" dos governos. "Na Europa, há várias cidades que possuem legislações que obrigam as empresas a traçar planos de mobilidade. Acho uma ideia excelente para ser replicada por aqui", sugeriu.  

Já Ulisses Mello, da IBM, lembrou da influência que os próprios funcionários podem exercer sobre as companhias. "As soluções empresariais já existem. Se o que precisamos é alavancá-las, empregados mais pró-ativos podem contribuir muito. Cada um deve buscar ser um agente transformador da sua realidade. Se você tem uma ideia bacana para a sua empresa implantar e ajudar na questão da mobilidade, vá até o seu gestor e sugira", convidou o executivo.

Clique aqui para acessar a matéria da Mobilize Brasil
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terça-feira, 11 de março de 2014

Especial Tóquio: Lições Sobre o Transporte Urbano


Estimadas(os),

Recentemente meu grande amigo, Geraldo Garcia, fez um curso no Japão sobre planeamento urbano, com ênfase no transporte urbano. Ele nos enviou algumas lições que aprendeu e vivenciou por lá. O aprendizado veio em momento oportuno, uma vez que Brasília e outras grandes cidades brasileiras vivem um caos na mobilidade urbana. 

A Região Metropolitana de Tóquio é mais do que 10 vezes maior do que Brasília e cidades do entorno. A lição aprendida é que é possível viver em uma cidade grande sem muitos problemas de mobilidade urbana. Chamou-me a atenção o planeamento urbano integrado, a quantidade de deslocamentos feitos por automóvel, a decisão de implantar ruas exclusivas para o pedestre, a rede e a qualidade do transporte público, além de aproveitar as infraestruturas de transporte para promover o desenvolvimento urbano.

Muito bom! Temos que analisar as boas práticas nacionais e internacionais e promovê-las, no que for possível, em nossa querida cidade! 

Geraldo, parceiro, meu muito obrigado e estamos juntos por uma Brasília melhor!

Um forte abraço!
Higor Guerra

Tóquio – Lições Sobre o Transporte Urbano

Estive no Japão durante 2 meses no final de 2013 participando do treinamento “Comprehensive Urban Transportation Planning and Project”. O curso contou com a presença de pessoas de 17 diferentes países, todos, países em desenvolvimento.

E não poderia haver lugar melhor para estudar transportes urbanos: A região metropolitana de Tóquio tem uma população de 37 milhões de habitantes, o que representa quase o dobro da população da grande São Paulo e mais de 10 vezes a do Distrito Federal, e Tóquio é uma cidade limpa, moderna, organizada, grandes espaços abertos mesmos nas regiões mais adensadas e muitas, mas muitas mesmo, ruas exclusivas para pedestres. 

Tama New Town

O transporte público funciona de tal forma bem que apenas pouco mais do que 10% dos deslocamentos pessoais na cidade são feitos com o uso do automóvel, ainda que a infraestrutura viária seja de ótima qualidade e conte com uma rede de vias expressas com mais de 300 km. O resultado é que Tóquio, grande como é, sofre menos com engarrafamentos do que qualquer cidade brasileira com mais de 1 milhão de habitantes. O metrô de Tóquio tem 13 linhas e 290 estações percorrendo 304 km, ele ainda é acrescido dos trens urbanos que formam um anel em torno e com linhas por dentro da região central da cidade, além de um conjunto de outras linhas de transportes sobre trilhos menores, como monorails, que fazem a conexão com as áreas mais distantes do centro. Este gigantesco e complexo sistema possibilita que as pessoas circulem por todos os lugares da cidade usando o transporte público. Mas não só esta abrangente cobertura incentiva seu uso intensivo, outros cuidados são também importantes: O metrô e os trens são pontuais, circulam em grande quantidade e alta frequência durante todo o dia, têm qualidade, oferecem segurança e há uma fartura de informações em todas as estações sobre as linhas, os itinerários e as tarifas.

Odaiba – Yanamote line

Uma das mensagens mais importantes que assimilei no treinamento é que o planejamento dos transportes urbanos é indissociável do planejamento urbano, a área urbana deve ser vista de forma orgânica e, neste paralelo, os transportes urbanos representariam o sistema circulatório do organismo. Uma novidade conceitual que conheci neste período foi o TOD – Transit Oriented Development que propõe o desenvolvimento de centros urbanos ao longo das linhas de metrô e trem urbano e, em especial, em torno de suas estações. São áreas residenciais e comerciais adensadas, podendo incluir shoppings, universidades, hospitais, órgãos de governo e, certamente, grandes prédios residenciais. Estas estações devem ser agradáveis aos pedestres, oferecendo grandes calçadas e passarelas, e acessíveis aos ciclistas oferecendo, inclusive, estacionamentos para as bicicletas.

Estação Central de Tóquio


No Brasil há uma carência muito grande no que se refere aos transportes coletivos e, portanto um desafio importante para os próximos anos. Há um uso excessivo dos transportes individuais motorizados, e, mesmo com os grandes investimentos atuais em transporte público pelo país, a precariedade do planejamento pode fazer com que os resultados obtidos não tragam os benefícios na escala esperada. Os conceitos absorvidos no Japão são perfeitamente aplicáveis às nossas cidades e a expectativa é que possamos rever as regras dos nossos programas de suporte financeiro aos municípios de forma que os investimentos do governo sejam, de forma mais efetiva, indutores do desenvolvimento dos nossos municípios e tragam os tantos benefícios que o transporte público traz para as áreas urbanas e para seus moradores.

JR East - Tohoku Through Line

Geraldo Freire Garcia
Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental
Secretaria Nacional de Transportes e da Mobilidade Urbana
Ministério das Cidades
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quinta-feira, 6 de março de 2014

Transporte de má qualidade gera impactos negativos

Estimadas(os),

Em outras oportunidades, comentamos os impactos negativos gerados por um Sistema de Mobilidade Urbana deficitário e de má qualidade, sobretudo no transporte público coletivo. Há prejuízos nos aspectos sociais, econômicos e ambientais, além do impacto negativo na vida do usuário (indivíduo).

A equipe do Akatu busca desenvolver trabalhos voltados ao consumo consciente para um futuro sustentável (clique aqui para acessar o site do Akatu). Na área da mobilidade urbana, eles fizeram uma pesquisa e uma análise combinando dados do IBGE e do IPEA em nove Regiões Metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Curitiba e Porto Alegre), onde chegaram a alguns impressionantes números que podem ser visualizados no seguinte link: http://www.engenhariacompartilhada.com.br/Noticia.Aspx?id=417393. Vale a pena a leitura para ter uma noção dos impactos negativos ocasionados por um sistema de mobilidade urbana deficitário e de má qualidade.


As condições de deslocamento do usuário estão diretamente associadas a sua qualidade de vida (relembre isso clicando aqui). Investir em melhores condições de mobilidade urbana é investir na sociedade, na economia, no meio ambiente, na qualidade de vida do cidadão.

Um grande abraço!
Por uma cidade sustentável, acessível, democrática e humana!
Higor Guerra

Alexandre Sabiá, obrigado pela sugestão de matéria, um forte abraço!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

GT de Mobilidade Urbana



Prezadas(os),

Foi criado um Grupo de Trabalho de de Mobilidade Urbana do Movimento Nossa Brasília. Leia abaixo essa ótima iniciativa! Quem tiver interesse poder se cadastrar no grupo. A próxima reunião será dia 13/03/2014.

Acessem o site do Rodas da Paz: http://www.rodasdapaz.org.br/

Um forte abraço!
Higor Guerra

Rodas da Paz participa da reunião de lançamento do GT de Mobilidade Urbana do Movimento Nossa Brasília

No dia 20/02/2014, quinta feira, às 19h, pessoas se reuniram no INESC para debater o tema de Mobilidade Urbana e assim inaugurar o GT de Mobilidade Urbana do Movimento Nossa Brasília.

O lançamento contou com pessoas de diversas representações: estudantes, ciclistas da cidade, representante do Instituto Ethos, do Fora do Eixo, da Carona Solidária, professores, advogados, servidores públicos, usuários de transporte público.

Logo em seguida o Movimento Nossa Brasília foi apresentado pelo Cleo Manhas e a proposta do GT de Mobilidade apresentado pela Renata Florentino. A primeira pergunta provocadora aos presentes foi: “Qual o papel que a sociedade civil pode exercer para melhorar a Mobilidade no DF?” As respostas você pode conferir aqui:https://drive.google.com/#folders/0B-1OaiLjVbrOTVFiVERiejhvbEU, Houve uma discussão a respeito do tema e das respostas ali expostas e algumas falas surgiram, como: “Devemos focar na mudança do consciente coletivo… a proposta de Lúcio Costa foi captar o momento histórico e investir no automobilismo, mas hoje devemos mudar essa concepção”. “A questão não é tão simples. Existem muitos lobbies a serem enfrentados”. “Ferramentas para influenciar a mudança da cultura do carro para o transporte público existem, mas isoladas não fazem a mudança. A melhoria do transporte coletivo é essencial e deve anteceder a isso”. “Devemos discutir a importância da questão das tarifas de ônibus… foi o gatilho que levou milhões para as ruas”.

Após extensa discussão, foi pensado em como compor a agenda do GT a partir dessas respostas. Ocorrerão dois encontros mensais, um encontro aberto de formação,  e uma reunião interna do grupo para sua própria organização ( aberto a quem quiser somar). Por último, foi respondido: “Qual pergunta você faria ao próximo governador?”

Os interessados em participar do GT podem solcitar inscrição nesse link.

A próxima reunião ficou marcada para o dia 13/03/2014 às 19h no INESC.

Com informações do Movimento Nossa Brasília.
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Indo para o Aeroporto de Bike

Prezadas(os),

Recentemente eu publiquei a matéria "Indo para o Aeroporto de Frescão" (relembre aqui). Agora eu sugiro que assistam um vídeo no qual o ciclista Uirá Lourenço sai do fim da Asa Sul e vai até o Aeroporto de bicicleta (clique aqui). 

O vídeo exemplifica bem as dificuldades encontradas por ciclistas ao circular por determinadas vias urbanas do DF. Gostaria apenas comentar um aspecto. Boa parte do trajeto é feito pela Estrada Parque Aeroporto (EPAR), que está recebendo investimentos para ampliação e "modernização" (veja placa da obra em 5min:47seg). Sinceramente não sei o que as intervenções nessa via estão gerando de moderno. Modernização para mim é promover um espaço urbano democrático onde os cidadãos são respeitados independentemente da forma como eles optam por se deslocar nas vias. 

A Lei da Mobilidade Urbana (Lei nº 12.587/2012) traz princípios e diretrizes que estão em tempo com os avanços alcançados em determinados países desenvolvidos e em desenvolvimento. Muitas cidades vem adotando políticas de priorização do transporte por bicicleta e vem colhendo bons frutos disso (veja exemplos clicando aqui). Simplesmente seguir esses princípios e diretrizes já irão conferir outro padrão de qualidade nos deslocamentos urbanos. Não há mistério, basta cumprir a lei que podemos falar em modernização urbana.

Estamos juntos!
Grande abraço,
Higor Guerra

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Vídeo: Transporte por Bicicleta

Prezadas(os),

Divulgando mais um Vídeo do site http://www.streetfilms.org/moving-beyond-the-automobile/
Este vídeo aborda sobre o Transporte por Bicicleta e faz parte de uma série sobre mobilidade urbana. Vale a pena conferir! Quem preferir, pode acessar o site acima e assistir também em alta definição e legenda para o português. Depois postaremos os outros vídeos da série.

O vídeo mostra que é possível o deslocamento de bicicleta nas grandes cidades, proporcionando um ambiente mais saudável, agradável e racional. Inclusive essa prática é uma tendência em muitos países. Entretanto, para que isso ocorra, há necessidade de mudanças, especialmente nas decisões políticas que são tomadas. É preciso pensar as nossas cidades de forma sustentável, acessível, democrática e humana. Caso contrário, o usuário do Sistema de Mobilidade Urbana acaba ficando sem opção, tendo que realizar seus deslocamentos de carro.

É preciso que tenhamos uma cidade que dê opções de deslocamento aos seus cidadãos!

Grande abraço!
Higor Guerra

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Vídeo sobre Transporte Orientado ao Desenvolvimento

Prezadas(os),

Divulgando um Vídeo do site http://www.streetfilms.org/moving-beyond-the-automobile/
Este vídeo aborda sobre o Transporte Orientado ao Desenvolvimento Urbano e faz parte de uma série sobre mobilidade urbana. Vale a pena conferir! Quem preferir, pode acessar o site acima e assistir também em alta definição e legenda para o português. Depois postaremos os outros vídeos da série.

Sobre o assunto, vou utilizar uma expressão usada pelo Dr. Içami Tiba, que é médico psiquiatra e um entusiasta da educação, para aplicar em mobilidade urbana. Governantes que investem significativos recursos financeiros em sistemas de transporte público coletivo visando unicamente atender as demandas/deslocamentos dos usuários; esses governantes apenas marcam passos, ou seja, só fazem a sua obrigação. Já os Governantes que utilizam os mesmos recursos financeiros para atender a demanda e ainda promover o desenvolvimento social, econômico, ambiental e cultural do meio urbano, esses sim dão o passo além.

Abraços!

Agradecimento especial para a Gláucia Maia quem me sugeriu!

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sábado, 21 de dezembro de 2013

Cantatas de Natal no Metrô-DF

Estimadas(os),

Na quinta-feira passada, voltando para casa, desembarquei na Estação Águas Claras do Metrô. Após descer as escadas fui surpreendido por um grupo que cantava músicas natalinas. Muitos usuários estavam ao redor do grupo, apreciando as belas músicas natalinas. Infelizmente não pude ficar, pois eu tinha outros compromissos. Todavia, essa cantata natalina me fez refletir.

O sistema de transporte público coletivo de grandes cidades transportam diversos usuários diariamente, como é o caso de Brasília. Muitos recursos públicos são aplicados na infraestrutura, na aquisição de veículos e também na operação e manutenção do sistema.

Quando bem utilizado, o transporte coletivo possui um enorme potencial de desenvolvimento urbano, possibilitando significativos avanços econômicos, sociais, culturais e ambientais nas proximidades por onde passa. Da mesma forma, quando mal empregado, o transporte público pode proporcionar desastrosas consequências. 

Diante desse potencial do transporte público coletivo, entendo ser muito pouco encarar vultosos investimentos em infraestrutura para simplesmente atender os deslocamentos das pessoas. Trata-se de um potencial enorme de indução de desenvolvimento que, por vezes, não é devidamente considerado no planejamento. 

Nossas cidades vem investindo milhões de reais em grandes empreendimentos de mobilidade urbana, com foco no transporte público coletivo. Entretanto, muitas propostas se restringem a dar solução às demandas da população, eliminação de gargalos e consideram superficialmente que haverá valorização imobiliária.

Poucos gestores e políticos conseguem enxergar outras vantagens nesses investimentos em transporte. Imagine você dispor de R$ 1,0 bilhão de reais para investir em um mega corredor de ônibus (tipo BRT) que transporta mais de 20.000 passageiros por hora. É importante ter em mente que, com esses recursos, é possível gerar uma série de impactos positivos em várias áreas. Por exemplo, nas principais estações e nos terminais, é possível criar espaços adequados às atividades culturais e econômicas. Lugares de referência para que os usuários (e a população no geral) possam usufruir de eventos como apresentações teatrais, exposições de arte, concertos musicais, cantatas etc. As divulgações dos eventos podem ser feitas pelos próprios canais de comunicação e tecnologias do sistema de transporte: no interior dos veículos, nos sites etc.

Uma coisa puxa a outra. Tendo espaços públicos para apresentação nas principais estações e terminais, cria-se um ambiente favorável (infraestruturas adequadas) às atividades culturais, sendo possível viabilizar projetos, por meio de políticas de inclusão social, que tiram jovens do mundo das drogas e os colocam em lugares que dignificam o ser humano (e conferem maior conforto à família do viciado). Isso, por sua vez, gera impactos benéficos na área da segurança pública e deixa a cidade mais atrativa a novos investimentos. O usuário do transporte público também é beneficiado com a medida, pois ele terá uma opção cultural para usufruir (e não apenas mais uma viagem que precisa realizar). Trata-se de integração entre políticas públicas.

Também é possível utilizar esses espaços para atividades comercias, com políticas de incentivo a pequenas e micro empresas locais, auxiliando no desenvolvimento econômico. Além disso, pode-se explorar também a prestação de serviços públicos básicos, como o "Na Hora", e serviços bancários. É interessante também a descentralização dessas atividades, retirando o excessos de serviços (e ofertas de emprego) na área central da cidade e promovendo serviços e atividades em áreas carentes da cidade, buscando a sustentabilidade e independência local.

É isso pessoal! Fazer o bom uso dos recursos públicos é obrigação do gestor público e dos nossos políticos. Agora, para se destacar, é preciso fazer o melhor uso dos recursos públicos. 

Grande abraço!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

(I)mobilidade e contradições de Brasília





Prezadas(os),

Mais uma contribuição de nosso amigo Uirá Lourenço, ciclista e grande defensor de uma mobilidade urbana sustentável e respeitosa. Fruto de um dedicado trabalho, Uirá consegui reunir um riquíssimo acervo de fotos que ajudam a diagnosticar a sofrida mobilidade urbana que enfrentamos diariamente em nossas vias e nos serviços prestados no DF. 

Ele também produziu textos que nos levam a diversas reflexões: maus hábitos (infrações) praticados por motoristas, falta de fiscalização, desrespeito ao pedestre e ao ciclista, falta de prioridade aos meios de transporte não motorizados, má aplicação dos recursos públicos, adoção de medidas governamentais equivocadas e incoerentes com as legislações, contrastes entre a magnitude do Estádio Mané Garrincha e seu entorno, etc. Há também diversas contradições detectadas como o caso da Linha "Verde" (EPTG), que mais parece uma Linha Cinza. Além disso, há registros de boas práticas internacionais na área de mobilidade urbana. 

Todo o material encontra-se no site da Mobilize Brasil (clique aqui). Além do texto base e das Leis Distritais sobre o tema, também é possível encontrar os seguintes álbuns fotográficos:
- Transporte por ônibus no DF;
- Condições aos ciclistas no DF;
- Multas cidadãs;
- Pedestres e ciclistas na EPTG;
- Entorno do estádio;
- Condições aos pedestres no DF;
- Inacessibilidade no DF; e,
- Locais hostis a ciclistas e pedestres.

Vejam também os quatro links de vídeo existentes!

Muito bom Uirá, parabéns pelo trabalho! 

Não podemos deixar que poucos grupos econômicos e falsos representantes do povo decidam que cidade construir. Quem faz a cidade são os cidadãos! Precisamos refletir que tipo de cidade nós queremos e, a mobilidade urbana é um dos temas centrais, pois possui um grande potencial de indução de desenvolvimento econômico, social e ambiental. Uma solução bem aplicada pode resultar em grandes benfeitorias para a população, todavia, ações desastrosas e caras podem piorar o quadro da dinâmica urbana, gerando mais deseconomias, tempos perdidos, dependências do automóvel, estresses e exclusões sociais.

Estou junto com vocês para uma melhor mobilidade urbana e, consequentemente, uma melhor cidade!

Grande abraço a todos! 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Bicicleta Branca

Pessoal,

Bonito gesto foi feito nas ruas do Guará nesta semana. Uma homenagem ao ciclista José Ribamar Neres de Andrade, que morreu após ser atingido por um carro no último domingo (08/12/13) no Guará II. Segundo as autoridades, o motorista que causou o acidente estava em alta velocidade e dirigia embriagado. 

Segundo a reportagem do Bom Dia DF (veja o vídeo aqui), cerca de 150 ciclistas fizeram uma pedalada entre o Guará I e II, passando pela Av. Central e Av. do Contorno. O ato demonstrou união entre os grupos de ciclistas do DF e pediram justiça no caso. Além disso, o evento externou a defesa de uma mobilidade urbana sustentável e democrática, com paz e respeito no trânsito. Os ciclistas penduraram uma bicicleta branca para simbolizar essa defesa.

É fundamental que haja harmonia entre as pessoas que utilizam diferente modos de transporte. O espaço público é de todos os cidadãos. Cada um de nós tem o direito de realizar suas viagens seja a pé, de bicicleta, de carro ou usando o sistema de transporte público coletivo. 

As normas de circulação e conduta no trânsito precisam ser respeitadas por todos, lembrando sempre da máxima que diz que "os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres" (Código de Trânsito Brasileiro: Lei 9.503/97, art. 29,§ 2).

Ao Poder Público (Executivo, Legislativo e Judiciário) cabe a elaboração de legislações pautadas nas políticas de trânsito e mobilidade urbana, com a participação popular; a educação dos usuários no Sistema Nacional de Trânsito e no Sistema Nacional de Mobilidade Urbana), a execução de infraestruturas adequadas ao convívio e segurança dos usuários; a fiscalização das normas; os julgamentos pertinentes, entre outros.

Que possamos em um futuro próximo termos um convívio pacificado entre os diferentes usuários dos modos de transporte, tal qual a bicicleta branca nos sugere! Parabéns pela iniciativa ciclistas!

Grande abraço!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Cidades sustentáveis, acessíveis, democráticas e humanas: uma visão da política da mobilidade urbana

Prezadas(os),

A ANTP divulgou um ensaio crítico que fiz no Curso de Gestão da Mobilidade Urbana. O título do artigo é "Cidades sustentáveis, acessíveis, democráticas e humanas: uma visão da política da mobilidade urbana". Confiram a matéria clicando aqui

Espero que gostem! Grande abraço a todos!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Ministério das Cidades realiza Seminário de Sensibilização para a Política e o Plano de Mobilidade Urbana


Estimadas(os),

A Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades realiza hoje em seu Auditório* o Seminário de Sensibilização para a Política e o Plano de Mobilidade Urbana. O evento se destina a iniciar um processo de capacitação de agentes públicos municipais, distritais e estaduais sobre a Lei de Mobilidade Urbana (Lei nº 12.587/12), bem como estimular a necessidade de elaboração de Planos Municipais de Mobilidade Urbana.

A programação conta com palestra sobre a Política Nacional de Mobilidade Urbana (Principais Tópicos da Lei nº 12.587/12) e três mesas redondas com os seguintes temas: 1) Desafios Políticos da Implementação da Lei; 2) Debate sobre Planos de Mobilidade e Instrumentos de Gestão; e, 3) Debate sobre Controle Social e Política Tarifária.

Este importante seminário está sendo conduzido e coordenado pela Dra. Martha Martorelli, Analista de Infraestrutura do Ministério das Cidades, e também pelo Dr. Marco Antonio Vivas Motta, Analista de Infraestrutura e Diretor do Ministério das Cidades**. 

Mais do que um cumprimento da Lei***, este seminário, que circula o país, é fundamental para que haja ampla divulgação da Lei da Mobilidade Urbana, conscientizando políticos e auxiliando os gestores públicos sobre a necessidade de se repensar a mobilidade urbana em nossas cidades.

Estou participando do Seminário e vejo um debate bastante rico de ideias e propostas que visam a democratização do espaço público, transporte público de qualidade, valorização do andar e do uso da bicicleta, além de questões relacionadas a gestão democrática e controle social.

Tomara que este evento não vá ao vento, mas que crie raízes de forma a frutificar cidades (inclusive Brasília) acessíveis, sustentáveis e que confiram dignidade ao ser humano no que diz respeito às suas necessidades de deslocamentos.

Grande abraço a todos!

*SAUS Qd.1, Lotes 01/06, Bloco H, Ed. Telemundi II, Asa Sul, Brasília-DF
**O evento conta também com a participação de grandes nomes da mobilidade urbana como Paula Coelho da Nóbrega (MCidades), Fernando Araldi (MCidades), Clarisse Linke (ITDP), Alexandre Gomide (IPEA), Nazareno Stanislau Affonso (Conselho das Cidades), Daniela Facchini (EMBARQUE), José Ribamar Rocha de Góes (CODEPLAN), Inês Damaceno (Conselho das Cidades), Umberto Rafael de Menezes Filho (Secretaria de Transportes do DF), Renato Boareto (IEMA), entre outras autoridades de municípios do entorno do DF e de outros estados.
***Lei mº 12.587/12, art. 16, II: Art. 16.  São atribuições da União: I -...; II - contribuir para a capacitação continuada de pessoas e para o desenvolvimento das instituições vinculadas à Política Nacional de Mobilidade Urbana nos Estados, Municípios e Distrito Federal, nos termos desta Lei; 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Corredores de ônibus X Faixas para Carros: Disputa pelo espaço urbano 2

Pessoal,

Atendendo a sugestão de alguns colegas, reproduzo o texto "O 'Estadão' e a demagogia dos corredores" do Dr. Eduardo Vasconcellos, que comentamos ontem (Não viu? Clique aqui!). Abraços!

O ‘Estadão’ e a demagogia dos corredores
12/10/2013 17:00
Eduardo Vasconcellos*

O jornal "O Estado de São Paulo” publicou no último dia 10 de outubro um editorial intitulado "A demagogia da mobilidade". O texto reclama da reorganização dos corredores de ônibus ora em realização na cidade de São Paulo e a denomina "demagógica”, associando-a aos objetivos políticos do partido que está no poder municipal hoje.

Vou me limitar a comentar as partes do editorial que se referem exclusivamente à ação técnica que está sendo realizada pela Prefeitura. Por mais voltas que dê no seu raciocino, o que está por trás do editorial é o descontentamento pela redução do espaço viário hoje ocupado pelos automóveis. Embora o editorial reconheça a necessidade de melhorar o transporte público o que se percebe nele é uma visão claramente elitista e irritada, ecoando os protestos que alguns usuários de automóvel vêm manifestando por meio da mídia.

É estranho que o jornal se deixe levar pela emoção e que em um editorial trate tão superficialmente um tema tão relevante não só para São Paulo, mas para outras grandes cidades do país.

O primeiro problema do texto está na tentativa de aumentar a quantidade de automobilistas supostamente afetados pelas medidas. O texto fala em 7 milhões de proprietários de veículos e procura defendê-los contra a idéia de que seriam "pessoas egoístas que rejeitam o transporte público”. Embora o texto não afirme que há 7 milhões de automóveis em São Paulo, ao colocar seus donos na discussão ele está se referindo a eles, pois seriam as pessoas que poderiam usar o transporte coletivo. Primeiro, este dado sobre a frota é fornecido pelo Detran e se refere a todos os veículos registrados e não apenas aos automóveis. Ademais, o Detran não tem um sistema que permita dar baixa dos veículos que não circulam mais, seja porque estavam muito velhos, seja porque foram roubados, seja porque estão destruídos hoje.  Dados oficiais do Detran São Paulo mostram que dentre os veículos privados há 5,4 milhões de automóveis. Em outra categoria de veículos privados (salvo as motos, que contam um milhão) há 830 mil veículos dos tipos micro-ônibus, camioneta e utilitários, não havendo indicação separada entre eles.

Para superar o problema entidades públicas e privadas que precisam de dados mais acurados para fazer estimativas econômicas, de consumo de energia ou de impacto ambiental usam procedimentos estatísticos reconhecidos internacionalmente e eliminam da lista de veículos aqueles cuja probabilidade de estar em uso é próxima ou igual a zero. Entidades como a ANFAVEA (fabricantes de automóveis), o IPT, a USP, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Ministério do Meio Ambiente, a Petrobrás, a Cetesb (de São Paulo) usam os mesmos procedimentos para chegar à estimativa de frota de automóveis e utilitários leves em São Paulo de 4 a  4,5 milhões de unidades.  Estes valores vêm sendo sistematicamente ignorados pela imprensa, pelo rádio e pela televisão, provavelmente porque números enormes chamam muito mais a atenção. Mas o nome mais correto para este comportamento é "desinformação”.

E como são usados os automóveis que estão realmente ativos? Segundo a pesquisa origem-destino feita pelo metrô de São Paulo, eram feitas diariamente em 2007 9 milhões de viagens de pessoas usando automóveis. Atualmente, vamos considerar 10 milhões de viagens. Sabendo que cada carro transporta em média 1,4 pessoas, o número de deslocamentos dos veículos automóveis é de 7 milhões por dia (sendo que a maioria dos autos é usada para fazer mais de dois deslocamentos). Assumindo que na hora de pico ocorre 10% do fluxo diário, há 700 mil automóveis que saem às ruas, por exemplo, entre 18 e 19 horas (assumindo que veículos de fora de São Paulo que vêm para a cidade são compensados pelos veículos da cidade que vão para outros municípios). No entanto, a maioria das viagens em automóvel não usa o sistema viário principal onde estão os corredores de ônibus, pois são deslocamentos feitos dentro dos bairros  (60% das viagens deles são feitos em menos de 30 minutos ) ou em vias principais nas quais a quantidade de ônibus não é grande, como a avenidas Brasil, Sumaré, Pacaembú, Salim Farah Maluf, Ricardo Jafet, Bandeirantes e dezenas de outras. O tema causa reação por parte de usuários de automóvel e tem repercussão tão forte na imprensa provavelmente porque alguns corredores passam pela parte mais rica da cidade, como as vias 23 de Maio e Ruben Berta, afetando negativamente os moradores e usuários das redondezas.

Assim, a quantidade de viagens feitas em automóvel e que são afetadas pela ampliação dos corredores é pequena e muito menor que a quantidade de usuários de ônibus beneficiados pelas medidas – em uma avenida típica da cidade os usuários de ônibus superam os usuários de automóvel na proporção de 3 para um, valor que sobe no caso de grandes corredores. Portanto, como ocorre em uma democracia, o espaço público escasso tem de ser dado prioritariamente à maioria, considerando também os aspectos ambientais. Ou será que deveríamos re-fundar nossa democracia e passar a usar o critério de distribuir o espaço público das vias de acordo com a renda dos usuários?

A ilusão do espaço infinito

Sucessivos governos, políticos interessados nas obras e a  indústria automotiva venderam a ilusão do espaço viário infinito e a insustentabilidade foi sendo construída cuidadosa e persistentemente. O empilhamento de automóveis nas ruas de São Paulo decorreu de políticas de incentivo irrestrito ao transporte individual que vêm sendo aplicadas no nosso país desde a década de 1960. Em São Paulo no período entre 1965 e 1970 chegamos a gastar 27% do orçamento para a ampliação do sistema viário e desde lá vem sendo gastos valores imensos, tudo para chegarmos ao século XXI imersos em um enorme congestionamento de automóveis. Nem a sociedade mais rica da Terra – os Estados Unidos da América do Norte – conseguiu evitar que suas grandes cidades tenham enormes congestionamentos, mesmo tendo aplicado centenas de bilhões de dólares em avenidas especiais e vias expressas. Isto ocorre por causa de uma barreira insuperável tanto nos países em desenvolvimento como o Brasil, quanto nas sociedades ricas: o uso do veículo automóvel requer um espaço muito grande – 40 m2 para circular a 30 km/h em um ambiente urbano – sendo fisicamente impossível acomodar todos os automóveis de uma cidade em situação de alta fluidez. No caso de São Paulo, a presença simultânea de 600 a 700 mil automóveis nas ruas (20% da frota) já é suficiente para provocar um enorme congestionamento. Assim, o processo ocorrido em São Paulo merece, no mínimo, o adjetivo elegante de "insensato”, e teve como principais beneficiários as construtoras de vias, as pessoas e organizações políticas que participaram das obras e os usuários de automóvel, mesmo que em períodos limitados de tempo, até que um novo congestionamento se formasse.

O editorial ignora também aspectos básicos da engenharia de tráfego. A existência de espaços entre os ônibus que circulam em uma faixa não representa "desperdício”, sendo uma necessidade física e dinâmica para garantir a otimização do fluxo geral dos ônibus do corredor e para conseguir transportar, em alguns casos, até 25 mil passageiros por hora, em cada sentido. Sem isso, os ônibus se enfileirariam colados uns aos outros, circulando entre 6 a 8 km por hora, como hoje ocorre na cidade. Mesmo com os espaços existentes, a quantidade de pessoas dentro dos ônibus é muito maior que dentro dos automóveis que estão nas outras faixas – a maioria destes com uma pessoa só. Adicionalmente, ônibus que transportam apenas pessoas sentadas (25 a 30) levam a um consumo do espaço viário público que é dez vezes inferior, por pessoa, ao consumo feito no automóvel que transporta apenas uma pessoa; causa também uma emissão de gases de efeito estufa, por pessoa, seis vezes inferior à causada pelo uso do auto com um passageiro. Embora não sejam ocupações recomendáveis do ponto de vista técnico, ônibus com três passageiros usam menos espaço por pessoa transportada que os autos com uma pessoa e ônibus com seis passageiros são menos prejudiciais ao "efeito estufa” do que automóveis com um passageiro que estão circulando ao lado do ônibus no corredor.

O editorial faz um apelo para que o espaço dedicado aos ônibus seja obtido sem impactar o fluxo dos automóveis. Mas isto é impossível, pois dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço no mesmo instante. Além disto, procurar fazê-lo seria injusto e iníquo.  O amontoamento dos automóveis em São Paulo passou antes pela fase de ocupação de todo o espaço viário principal disponível, expulsando os ônibus ou confinando-os a faixas estreitas do lado direito da via, onde competem com automóveis estacionados (muitas vezes de forma ilegal), com automóveis entrando e saindo das construções, e com táxis que recolhem ou deixam passageiros. Tudo isto foi feito permanentemente na nossa história, com grande prejuízo para a maioria da população e tendo sido ignorado pelos principais meios de comunicação.

Portanto, a maioria das viagens em automóvel não é afetada pelos corredores e seus usuários vêm tendo, há décadas, um tratamento prioritário generalizado, garantido por investimentos gigantescos no sistema viário, por estacionamento gratuito nas vias representando um subsídio anual de R$ 3,5 bilhões, por fiscalização deficiente que historicamente captou apenas uma parte mínima das infrações cometidas e pela aplicação de técnicas de engenharia de tráfego de padrão internacional, com resultados surpreendentes se for considerado o grau elevado de congestionamento que foi historicamente produzido. Assim, os "milhões” de usuários de automóveis nunca tiveram seus interesses e necessidades negadas ou desprezadas, tendo sido os maiores beneficiados dentre os usuários do trânsito na cidade desde a década de 1960. A maioria dos usuários do transporte público, ao contrário, sempre teve suas necessidades ignoradas ou mal atendidas, sem falar de pedestres e ciclistas.

Para que o sistema de ônibus funcione adequadamente é necessário garantir espaço físico e boas condições operacionais, inclusive de ultrapassagem entre os ônibus no caso dos corredores mais carregados. Nada mais justo do que re-publicizar o espaço ocupado indevidamente pelo excesso de automóveis, dedicando-o à operação adequada dos ônibus. É fato que esta reorganização deve ser feita com critérios técnicos, dentro de um âmbito contratual distinto do atualmente existente – que aprisiona e limita o poder público – com transparência e com a disponibilização de formas de controle social e legal das operações. Precisamos organizar um sistema que tenha alta qualidade, seja abrangente no espaço e que tenha regularidade e previsibilidade, permitindo aos usuários de todas as regiões da cidade planejaram seus deslocamentos nos ônibus com confiança. Das medidas atuais se espera também que uma parte dos usuários de automóvel passe a usar ônibus. Com o uso de técnicas adequadas de engenharia de tráfego, os automobilistas que permanecerem em seus veículos nos corredores devem, como cidadãos, ter a atenção das autoridades de transporte e trânsito, desde que isto não implique em inversão das prioridades hoje definidas, nem em criação de privilégios indevidos no uso do espaço público das vias nos corredores ou em outros locais.

*Eduardo Alcântara de Vasconcellos é engenheiro civil e sociólogo. Fez mestrado e doutorado em Ciência Política na Universidade de São Paulo e pós-doutorado em Planejamento de Transporte nos Países em Desenvolvimento na Cornell University, Estados Unidos. É assessor técnico da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), onde preside a Comissão Técnica de Meio Ambiente; é assessor técnico do Banco de Desarrollo de América Latina (CAF). É diretor do Instituto Movimento, de São Paulo, dedicado a estudos de mobilidade.
Autor do livro "Políticas de transporte no Brasil: a construção da mobilidade excludente”, Editora Manole, lançado no 19º Congresso da ANTP, em Brasília (09 de outubro, 2013)