terça-feira, 6 de agosto de 2013
Linha Expressa >> UnB promove Seminário Internacional de Mobilidade e Transporte
O Programa de Pós-Graduação em Transportes da Universidade de Brasília irá realizar o Seminário Internacional de Mobilidade e Transportes: Teorias, Práticas e Políticas Contemporâneas. O evento ocorrerá nos dias 27 a 29 de agosto de 2013 no Auditório do Centro de Excelência em Turismo (CET), Campus Darcy Ribeiro, Universidade de Brasília, Asa Norte, Brasília-DF.
Vale a pena conferir a programação e participar, pois estão previstas grandes autoridades sobre o assunto. Para maiores informações e inscrição acesso o link: http://www.transportes.unb.br/
Abraços!
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Cidades humanizadas
Por sugestão de uma amiga e excelente profissional na área de Políticas Sociais, Arq. Andrea Nascimento, Mestre em Estudos Urbanos e Gestão Territorial, transcrevo o artigo publicado pela Folha de São Paulo, elaborado pelo jornalista Daniel Benevides. Recomendo ver o artigo na fonte (Site da Folha), inclusive com acesso a diversas fotos, clicando aqui.
Achei interessante o artigo, pois nos faz refletir sobre o tipo de cidade que nós queremos: planejada para o automóvel ou planejada para as pessoas. Brasília é mencionada na matéria.
"A MARCA HUMANA
por Daniel Benevides
RESUMO Às vésperas da publicação de "Cidades para Pessoas" no Brasil, o dinamarquês Jan Gehl advoga um planejamento urbano guiado pela escala humana, em oposição às "torres que caem como falésias sobre a calçada" e aos carros. Ele tece críticas ao ideário modernista e aponta como modelos as medievais Veneza e Siena.
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Há algo de vagamente quixotesco nas propostas de Jan Gehl. Mas há que admitir a hipótese de que alguns dos moinhos contra os quais o arquiteto dinamarquês vem se batendo sejam, de fato, gigantes a ponto de ruir.
Autor de "Cidades para Pessoas" [ed. Perspectiva, trad. Anita Di Marco, com colaboração de Anita Natividade, 280 págs., R$ 90], a sair no início de agosto, Gehl combate conceitos modernistas -que ao longo de meio século foram vistos quase como dogmas por seus colegas em todo o mundo- com ideias simples, que contrariam a cultura do carro particular e a insensibilidade dos projetos urbanísticos para a escala humana.
Seu ideário, pleno de exemplos convincentes, não é futurista; em vez disso, volta-se para o passado. Em seu livro, cujo grande mote é a humanização das cidades, a utopia de Brasília é tratada como uma síndrome, ao passo que a vetusta Veneza é mencionada algumas vezes como modelo para uma nova arquitetura e urbanismo.
Falando à Folha por telefone, Gehl, professor emérito de desenho urbano na Escola de Arquitetura de Copenhague, demonstra otimismo. "Meu livro foi lançado em 2010 e já foi traduzido para cerca de 20 línguas. A ideia de um planejamento orientado para as pessoas, e não para os carros, tem se espalhado pelo mundo. Isso me deixa contente, pois meu objetivo no trabalho sempre foi conseguir criar ou inspirar espaços melhores para viver nas cidades, independentemente de o país ser grande ou pequeno, rico ou pobre."
Para ele não é surpresa, por exemplo, a notícia de que o número de jovens motoristas nos Estados Unidos caiu pela metade em 30 anos. "A era do carro está morrendo. Você consegue pensar em algo menos inteligente do que o uso obsessivo do carro? É muito custoso, ocupa demasiado espaço, polui e é causa de muitos acidentes."
Não à toa, todos os seus projetos, entre os quais se contam inúmeras mudanças em Copenhague, onde as áreas para carros foram bastante reduzidas, e Melbourne, com seu centro renovado, contemplam melhorias para transporte público, pedestres e ciclistas.
Como mostra em seu livro, com didatismo incomum e muitas ilustrações, uma das chaves para cidades humanizadas é a criação de áreas de uso comum diversificado. Entre os bons exemplos que Gehl destaca está a New Road, em Brighton, no litoral da Inglaterra.
Bem sinalizada e com mobiliário adequado, a rua tornou-se uma referência para pedestres, mas também serve a carros, ciclistas e ainda tem a função de praça, com bancos nas calçadas alargadas. As mudanças ampliaram a permanência das pessoas em 600%.
O mesmo aconteceu em Aahrus, na Dinamarca, em que um rio canalizado foi reaberto, e os espaços ao longo de seu curso, transformados em áreas de recreação. Com isso, o que era uma área cinzenta e abandonada tornou-se a mais visitada da cidade.
O uso de bicicletas como meio de transporte nos grandes centros, tema de debate crescente, é um dos tópicos contemplados por Gehl em seu livro. Em Copenhague, onde cerca de 40% do transporte pessoal é feito por bicicleta, utilizada por mais da metade da população local, as ciclovias são colocadas entre as calçadas e uma faixa para estacionamento de carros, que acaba servindo de proteção do fluxo de automóveis.
"Cidades para Pessoas", de Jan Gehl
Recentemente, Gehl esteve em Moscou, uma das cidades para as quais realizou consultorias de vulto. Lá, diz, operaram-se grandes mudanças em um ano -como a proibição de estacionamento nas calçadas, a diminuição do limite de velocidade e a criação de vias peatonais e de praças onde havia estacionamentos, além do plantio de árvores, "para amenizar o ar melancólico" e a retirada de propaganda nas ruas e prédios.
'Provavelmente os problemas de Moscou são parecidos com os de São Paulo. A diferença é que eles são menos democráticos', comenta o arquiteto, que elaborou, em 2006, um estudo para a renovação do centro da capital paulista.
ESCALA HUMANA
Bastante influenciado pela jornalista e ativista Jane Jacobs, autora de 'Morte e Vida de Grandes Cidades' (1961), até hoje um marco das teorias de urbanismo, Gehl insiste muito na importância da escala humana -o que se traduz também numa preocupação com a arquitetura dos andares térreos dos edifícios, espaços de transição entre espaço privado e espaço público. "As grandes torres que caem como falésias sobre a calçada viram as costas para as pessoas; é preciso um convite à interatividade."
A seu ver, a "síndrome de Brasília" é uma das origens desse problema. Gehl, 76, recorda-se de ouvir, quando estava na universidade, "que Brasília era a cidade mais planejada do mundo".
"Mas quando fui lá, fiquei bastante desapontado ao ver que ninguém havia se preocupado com as pessoas. É uma cidade 100% pensada como máquina, como nos preceitos modernistas do início do século passado. A única preocupação parecia ser a aparência do alto, como se vista de um helicóptero. Assim, a cidade é linda. No nível dos olhos, porém, a paisagem é tediosa, não há espaços para o pedestre, e as praças são impossíveis de usar. É um tipo de arquitetura cujo paradigma ficou para trás."
Inaugurada em 1960, porém, Brasília é um retrato de seu tempo, quando o futuro era o automóvel. Portanto, é compreensível que cidades cujo traçado é eminentemente medieval, como Siena e Veneza, criadas quando carros não eram nem mesmo um delírio, sejam modelares para Gehl.
Em contraposição, Gehl aponta Dubai, nos Emirados Árabes; Lagos, na Nigéria; Ho Chi Minh, no Vietnã; Dakar, no Senegal; e Jacarta, na Indonésia, como exemplos do que chama de arquitetura rápida. "São cidades afogadas no trânsito, em que os ricos têm a mobilidade facilitada, e os pobres, muitas dificuldades para se deslocar", explica. Seu livro, no entanto, se concentra mais em cidades onde a distribuição de renda não é tão desigual. Ainda assim, reserva elogios para Curitiba e Bogotá, especialmente no que tange ao transporte público.
Muito embora grande parte das iniciativas encabeçadas por Gehl se relacione à mobilidade urbana -ele já falava em pedágio urbano e rodízio desde que se formou, em 1960-, o arquiteto pratica, em seu escritório, a noção de que o ofício é multidisciplinar. Em sua equipe, há sociólogos, antropólogos e teóricos de cultura trabalhando lado a lado com profissionais de arquitetura, design e urbanismo.
'Todas as cidades no mundo têm departamentos de trânsito, mas quase nenhuma tem um departamento para pedestres e ciclistas ou para a qualidade de vida. Às vezes, tenho a impressão de que sabemos mais sobre o hábitat de leões e gorilas do que sobre o de humanos.'
DANIEL BENEVIDES, 48, é jornalista e tradutor."
Abraços.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Série Minha Experiência >> Rodoviária do Plano Piloto - Sudoeste
Hoje vou comentar uma viagem que fiz de ônibus em 31/07/13 saindo da Rodoviária do Plano Piloto até o Sudoeste/DF.
Cheguei na plataforma da linha 152.2. Raramente pego essa linha, mas não precisei pedir informações, o totem eletrônico me passou as informações que precisava. Na plataforma havia uma grande fila e, por lá, esperei uns 10 minutos até o ônibus estacionar. Não houve atrasos, o horário indicado da viagem era 17:40 e neste horário embarquei.
O ônibus (daqueles bem antigos) saiu lotado da Rodoviária. Tive que ir em pé. Boa parte dos passageiros pareciam exaustos no fim daquela tarde. Só para sair da rodoviária, devido aos muito ônibus que circulam por lá, gastamos 7 minutos (neste mesmo tempo é possível percorrer quase toda a Asa Sul no metrô). O próximo desafio foi vencer as 6 faixas do Eixo Monumental, indo de um lado para o outro, de forma a alcançar o primeiro ponto de parada. O processo não foi muito complicado: o cobrador olhava para trás e dava umas batidinhas na carroceria do ônibus de forma a avisar o motorista que podia ir avançando nas faixas.
O trânsito no Eixo Monumental estava muito pesado. Íamos em uma velocidade bastante baixa. Mais lentos que os carros ao lado, pois a aceleração do ônibus é inferior, apesar das fortes arrancadas iniciais que faziam "acomodar" os passageiros. Uma faixa exclusiva para o ônibus cairia bem!
Neste anda e para e nas chacoalhadas do ônibus (a foto desta postagem foi tirada nestas condições), eu vinha ouvindo umas batidas na lataria. Não sabia bem da onde vinham os barulhos, mas só torcia para não ser nada grave que viesse a prejudicar a viagem.
Eu estava localizado na parte de trás do ônibus. Colado na porta traseira havia uma informação do tipo: "este veículo só circula com as portas fechadas". Inicialmente aquilo me passou segurança. Mas, momentos antes da parada do ônibus em um ponto, a porta abriu completamente com o veículo em movimento. O passageiro, que já se encontrava na escada da porta, pareceu não ter se importado.
Mais adiante, perto do ponto da parada do Palácio do Buriti, aproximou-se à porta traseira uma moça com a mão na boca dando sinais de querer vomitar (devia ser por causa das chacoalhadas). Pensei: é agora! Ela segurou bem a onda, mas batia na porta para ver se o motorista abria. Sem sucesso. Ela teve que esperar chegar na parada para poder desembarcar.
Saindo do Eixo Monumental e virando na EPIG, encontramos um ônibus danificado. Ao redor muitas pessoas esperando pelo próximo. Continuando o caminho, no momento das curvas, algumas pessoas esbarravam em mim, mas bastava um sincero pedido de desculpas para manter o status quo do início da viagem. Em certa curva (e que curva), eu fui jogado contra um colega de viagem. Educadamente também providenciei meus sinceros pedidos de desculpas.
Chegando no Sudoeste, a medida que íamos parando nos pontos, o ônibus ficava mais vazio (pois praticamente ninguém mais embarcava, só havia desembarques). Consegui sentar! O banco não era dos mais limpos, mas como já estava voltando do trabalho, não me importei.
As batidas na lataria pareciam se intensificar. Bom, a essa altura eu já estava próximo do meu destino mesmo, portanto não seria tão penalizado se o ônibus tivesse que pedir arrego. Às 18:25 eu desembarquei no ponto de ônibus. Fui andando pela calçada e, a certa altura, olhei para trás só para ver aonde o ônibus se encontrava. Para minha surpresa ele ainda estava no ponto de ônibus. O motorista havia descido para conferir alguma coisa debaixo do eixo traseiro. Seriam as batidas? Bom, não fiquei para ajudar, mas espero que meus colegas de viagem não tenham sido prejudicados.
Estava andando por agradáveis calçadas no Sudoeste. Pensei: "agora não há mais nada de diferente para contar no blog". Só foi terminar de pensar nisso que quase fui atropelado por um ciclista que vinha por trás trafegando na calçada. Ele parou a bicicleta e me pediu desculpas. Bom, lembrei dos esbarrões no ônibus e dei um sorriso.
Gastei 45 minutos no meu trajeto de ônibus de cerca de 8,5km. Quando vou para casa (em Águas Claras), gasto cerca de 25 minutos de metrô para correr cerca de 18 km. É uma diferença grande, sem contar que no metrô não tem aquelas significativas chacoalhadas e nem as batidas na lataria (só de vez em quando falta energia).
Nessa situação que vivenciei no ônibus, realmente fica difícil de convencer o usuário a abrir mão do carro e pegar ônibus. Particularmente se eu tivesse que fazer esse trajeto diariamente, eu iria fazê-lo de carro.
Só com grandes investimentos é possível tornar o transporte público coletivo mais atrativo. Portanto, vamos participar e mudar essa realidade.
Por uma mobilidade urbana melhor, contem comigo!
Grande abraço!
Higor Guerra.
Colabore você também com essa série. Mande suas experiências para hoguerra@gmail.com
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Linha Expressa >> Passageiros se revoltam e incendeiam ônibus quebrado em Planaltina/DF
Ontem um ônibus foi incendiado e aparentemente em função da revolta dos passageiros com o ônibus que quebrou. Vejam a matéria publicada no G1 (Clique aqui para ver o original):
"Veículo teve perda total e foi abandonado próximo a posto da polícia. Moradores protestaram na semana passada por melhorias no transporte.
Um ônibus da Rápido Planaltina foi incendiado e teve perda total na tarde desta quarta-feira (31) na DF-128, próximo ao posto do Batalhão Policial Rodoviário em Planaltina, no Distrito Federal.
Segundo a Polícia Militar, o ônibus quebrou e os passageiros, revoltados, atearam fogo ao ônibus.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o veículo teve perda total e não havia motorista, cobrador ou passageiros no local quando a corporação chegou para apagar o fogo.
Protestos
Na semana passada, cerca de 150 moradores de Planaltina de Goiás fecharam durante dois dias os dois sentidos da DF-128 para protestar por melhorias no transporte público na região. O grupo também protestou contra o fim da circulação dos ônibus da empresa Três Irmãs, que operava na cidade desde dezembro de 2011 sem concessão da ANTT.
Para assumir a demanda de 13 mil passageiros deixada pela empresa, a ANTT determinou que a empresa Rápido Planaltina assumisse seu lugar até a conclusão da licitação para substituir a empresa, prevista para dezembro.
A Rápido Planaltina e a Viação Monte Alto, que circulam na região, também não têm autorização da agência, mas operam com liminares judiciais".
ANTT concede autorização em linha de Planaltina de Goiás
No dia 29/07/2013, a ANTT concedeu autorização, em caráter emergencial, para a empresa União Transportes Brasília Ltda operar as linhas que ligam Planaltina/GO à Planaltina/DF, Sobradinho/DF e Plano Piloto/DF. Vejam a matéria publicada no site da ANTT (Clique aqui para ver o original)
"A ANTT concedeu autorização à empresa União Transportes Brasília Ltda (UTB) para operar em caráter emergencial durante seis meses, sem prorrogação, o serviço de transporte interestadual semiurbano de passageiros entre o Distrito Federal e Planaltina de Goiás.
A empresa executará três serviços, com as ligações entre o Plano Piloto-Planaltina/GO; Planaltina/DF-Planaltina/GO e Sobradinho/DF-Planaltina/GO.
O início dessa operação se dará a partir de 05 de agosto (segunda-feira da próxima semana). A autorização foi concedida através da Portaria 496 de 26.07".
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